Monday, April 09, 2007

Na impossibilidade de dizer o que sinto sobre a vida, eu apenas penso, penso que não posso escrever, nem andar, tão pouco respirar-la, não sinto, só fadigo-a.
Vontade de tremer em cima dela, essa vadia sem nome, esse púlpito sem deus.
Gozar dos seres que imagino que não existem, e só assim posso estar em todos os lugares ao mesmo tempo, nos translados da memória, da poesia sem memória.
Sem passado, no passo dos pássaros anuviados.
Sinto que vejo tudo ao meu redor, é infinitamente belo, dos compêndios, dos convivas que me circundam é só luz e saudade, sem dialética, nada sagrado, nem profano apenas a vontade dos pingos chuvosos, da luz da manhã e o escurecer do dia.

Calemos por um instante
diante de nós mesmos
juntemos um montante
do abraço doloroso do dia
jogue-o pela janela
sem rima, sem prece
finde ali
no guardião das coisas sem sentido
onde moram os ventos, as luzes e o movimento das águas perenes.

Monday, April 02, 2007

Canção do “Enfim”


Prefere “Chico” quando acorda
e quando acorda é de mansinho
e deveras preguiça nessa hora,
leva num caminhão

fica sem jeito, mais seu jeito certo de ser
sem mistérios e todo ele.
Vem de dentro pra fora, é que nem vento
Sopra forte quando quer
assusta devagar

e faz chover no amanhecer


Tem carinho, tem amor.
muitos amigos, amigos cada vez mais
Tempoboi, tempo que é só seu
multiplica-o que não sei como foi
Só sei que foi


Não! não sabe o que é.
Sim, sempre de bom grado.
E faz tudo com carinho
cheio de penduricalho

E no finalzinho
Quase acabando a poesia
De cipó, em cipó na vida
te digo querida
não vives,
simplesmente és híbrida
de um sincretismo só e partida.


E é uma pena

ela só não faz cinema...