Wednesday, August 19, 2009

Você já contou a quantidade de gente estranha já passou pela sua vida, eu falo não é de pessoas que tem uma estranhezazinha qualquer, pois médico e louco todo mundo tem um pouco, e sei que de fato existe um certo grau de verdade nesta máxima.Pois bem como dizia- falo mesmo é de coisas como manias, tiques nervosos e toques, que são daquelas estranhezas em abundância, em doses cavalais.

Exemplo bom conta meu pai, uma vez me disse que ter conhecido um cara, com o nome que não me recordo agora, só sei que o cara tinha uma mania de brabeza, pois quando ia para o bar e pedia uma pinga, já na segunda dose o cidadão ia mesmo era comendo o copo e tudo. Danado esse cara, só quem não gostava muito era o dono do bar.

Eu também conheci alguns, todos de uma variância absurda, uns mais outros menos.Porém cá pra nós que tudo nesta vida sempre tem o cara que é o primeiro do Top 5 –convenhamos ser top 5 de alguma coisa já é difícil que dirá ser o primeiro. Pois bem.
Esse camarada na época que conheci tinha seus 12 anos de idade, se chamava... não sei o que. Confesso que o nome dele me falta até hoje, mais sei que o MUNDO chamava-o de Fiu, isso Fiu, escrito com U, que assim como o nome não sei da onde veio esse raio de apelido.
Que seja, o fiu era um moleque meio zureta mesmo, quando colocava uma coisa na cabeça, não tinha quem a tirava, e quase sempre ele apanhava pelas coisas que fazia.

Ele gostava mesmo era de testar os limites – hoje penso que foi a televisão que deixou fiu daquele jeito, ele era de uma família viciada em televisão.

Umas das primeiras que me recordo foi o dia em que

ele(o fiu) me confessou “vou parar de beber água só para ver até quando eu guento”

E eu já esperando o pior lhe falei “você é louco mesmo né moleque, só te falo uma coisa não esteja do meu lado quando você morrer desgraçado”
E foi, essa criatura ficou um, dois, na metade do terceiro dia a peste desmaiou, coisa que já era certa né, e sua mãe desesperada não sabia o que fazer, e claro ela veio bufando pro meu lado, e eu falei, falei mesmo, se não falasse,
ele ia mesmo era morrer. E quem ia apanhar dessa vez era eu, como já diz o ditado “
Quem deita com cachorro com pulga levanta”.
E foi que fiu teve que beber muita água, desidratado feito uma minhoca seca, com cara de maracujá velho, e foi que depois apanhou na mesma proporção da quantidade de água que ingeriu.
Mais olha que ele parecia um viciado sabe, ficava bem sem aprontar dessas coisas, mais logo caia na desgraceira de novo, era no máximo 6 meses e pronto tava lá fiu armando alguma idiotice de novo.

Certa vez foi do contrário que sucedeu, ele fez depois me contou, claro com medo que eu desse com a língua nos dentes antes plano tresloucado do cidadão. Foi que num dia me dei conta do sumiço de fiu, não aparecia no campinho a uns dois dias, fui ter com a mãe dele para saber, ela me disse em palavras bem graúdas assim “SUMIU no mundo, ninguém sabe onde o moleque se meteu, estou desesperada, já liguei até para o IMLvirou um peido” -como diz até hoje a senhora minha mãe.

Ninguém sabia onde estava fiu, era fiu para cá, fiu para lá. E acontecia assim mesmo, quando você menos esperava ele executava suas idéias brilhantes.
E ninguém que achava o fiu, foi quando três dias depois eis quem surge de carona em uma camionete, ele mesmo o triunfal Fiu “Cavaleiro da esperança” e como de costume apanhou de novo, depois da coça fui visitá-lo – que claro estava de castigo, por tempo indeterminado Disse em voz baixa que “Queria saber o quanto ele agüentava andando sem parar.
Isso é lá idéia de gente com suas boas faculdades mentais? Não, não é.

Depois dessa fiu ficou um pouco sossegado, mesmo porque essa foi pra acabar. Já pensou andar até cansar, e se o diabo do moleque não conseguisse carona, ia definhar a beira da estrada até a urubuzada fazer seu banquete. Pois bem.
E já tinha um tempão que fiu não aprontava nada, um tempão mesmo, excedeu a marca de seis meses, mais sabe-se que quando a esmola é demais o Santo desconfia, e coisa boa a peste do moleque não estava fazendo, foi que coloquei fiu na parede e perguntei, “ e ai fiu que se ta aprontando dessa vez”
Ele muito secretamente me confessou “ Estou xingando as pessoas em pensamento” e eu como de costume não estava entendendo absolutamente nada, e ele continua “ é quero saber se alguém sabe mesmo ler pensamento, essas coisas que dizem na televisão, e a única forma que eu achei de provar, era xingando, e se a pessoa achar ruim, querer me bater tcharannn, o cabra leu meu pensamento, melhor leu meu xingamento”
Eu fiquei horrorizado com aquilo tudo, como esse ser pode pensar tanta bobagem, mais quer saber, até fiquei aliviado, pois das que ele tinha no currículo essa era a mais leve de todas.
Só perguntei a ele se ele já havia me xingado e disse sim e que não era para ficar chateado com isso, mais só não ia dizer qual era i impropério, relevei mais uma vez suas loucuras em prol nossa amizade.
O período escolar estava quase chegando ao fim, e vínhamos em um embalo só naquele ano, notas boas, sem confusão, pouca falação, pelo que via o presente seria bom no natal.

Contudo foi em uma tarde de novembro, dessas que a gente não sabe mais por onde suar, foi que vi uma multidão de gente em frente ao portão da escola. Era faxineiro, meninas, meninos, secretaria, professor e até gente a toa na rua vinha ver o salseiro que se juntara ali.
E eu como bom curioso que sou fui ter com a aglomeração, e eis quem surge no meio do furacão, isso mesmo, era Fiu em carne osso, em todas as cores possíveis, melhor dizendo em uma cor só, vermelho de tanto tomar porrada, para encurtar a história, fiu tomou pancada de uma turma do 1º colegial (pois naquele tempo ainda era tudo junto) só sei que depois de muito custo consegui tirar o infeliz de lá, e claro louco para dar uns tapas nele também, mais me segurei. Perguntei a ele o que havia acontecido, ele disse todo feliz e esfarrapado de tanta pancada “Sabia que era verdade, existem pessoas que lêem pensamento”

O que acontecera na verdade foi que fiu foi xingar em pensamento o menino mais briguento da escola Zé Elias, e realmente xingou, porém infelizmente não foi apenas em pensamento, mais em alto em bom som – e nem se dera conta disso -o bastante para sua classe inteirinha ouvir, gritando bem assim (segundo relatos colhidos por mim em seguida) “Zé Ilias seu FÉLA DA PUTA, FI DUMA ÉGUA!!!
E foi então que fiu, esse grande filósofo, universalista do meu tempo descobriu enfim que existem pessoas que leem pensamento como nos filmes na TV. Grande Fiu top 5 da estranheza.