Por essa luz que me alumia, eu confesso que resisti até o ultimo momento a não escrever essa ultima postagem, no entanto os despautérios que venho enfrentando de duas pessoas- que eu juro não falar nome aqui (Juliana e a Vivi ops escapou) onde as mesmas vem me chamando de “Esquerda” que por si só é uma falácia, então utilizo uma ferramenta covarde, então lá vai.
Abril, 12 de 1945 – Meditação entre quatro paredes: Sou um animal político ou apenas gostaria de ser? Esses anos todos alimentando o que julgava idéias políticas socialistas e eis que se abre o ensejo para defendê-las. Estou preparado? Posso entrar na militância sem me engajar num partido? Minha suspeita é o partido, como forma obrigatória de engajamento, anula a liberdade de movimentos, a faculdade que tem o espírito de guiar-se por si mesmo e estabelecer ressalvas à orientação partidária. Nunca pertencerei a um partido, isto eu já decidi. Resta o problema as ação política em bases individualistas, como pretende a minha natureza. Há uma contradição insolúvel entre minhas idéias ou o que suponho minhas idéias, e talvez sejam apenas utopias consoladoras, e minha inaptidão para o sacrifício do ser particular, crítico e sensível, em proveito de uma verdade geral, impessoal, às vezes dura, senão impiedosa. Não quero ser um energúmeno, um sectário, um passional ou um frio domesticado, conduzido por palavras de ordem. Como posso convencer a outros, se não me convenço a mim mesmo? Se a inexorabilidade, a malicia, a crueza, o oportunismo da ação política me desagradam, e eu, no fundo, quero ser um intelectual político sem experimentar as impurezas da ação política? Chega, vou dormir.
Trecho extraído do livro “O observador do escritório” do escritor Carlos Drummond de Andrade.
Sunday, August 31, 2008
Saturday, August 09, 2008
Noites assim.
Deveria me opor a escrever em momentos assim, é injusto com tudo que é mais sagrado e injusto comigo mesmo.
Nestes instantes tudo soa estranho, indefinido e ao mesmo tempo voraz. Vem ofegante de tal maneira que te sufoca te mata cortando a carne profundamente.
E por que escrever nesses devaneios? Somente para respirar um pouco, colocar a cabeça para fora d’agua e voltar a mergulhar, colocar a cabeça para fora d’agua e voltar a mergulhar, em um compasso seguindo o caminho, o caminho da palavra , palavra que me salva, salva o menino matuto, salva o rapaz cosmopolita, salva do mundo bandido, salva das coisas bandidas.
Esse barulhinho de tecla apertada, do papel amassado, da chuva no telhado da casa, o barulho da poesia boa, é o barulho da palavra. Palavra só tem barulho, barulho que é som, som que vira calma, calma somente para aqueles quem tem alma, a alma herége e sem perdão.
Palavra amiga, do afã natural das coisas boas da vida, o afã da Boêmia.
E um brinde, um brinde à toda palavra que se finda, que só essa merece o aplauso que de fato se deve ter tal palavra, palavra sã, que cura sem querer ter para si algo em troca, palavra desprendida, desapegada, livre e só, apaixonadamente absoluta.
Essa noite precisei da palavra, muito mais do que naturalmente a palavra precisaria de mim, e por isso a palavra não saiu, fiquei sem ela, ela sem eu, os dois desvairados virados nesta cama, sem se entender, separados com a dor infinita nas mãos, que definitivamente não quero mais ter.
Mas de qualquer forma Viva a palavra!...
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