Wednesday, November 12, 2008

Causo


Sabe, não é assim, é que causo é causo e nada mais, causo não é história nem piada é só causo. Causo acontece com um fulano é contado aqui, e dali a pouco percorre o mundo inteiro. Você conta sem a intenção de virar causo, conta por contar, o camarada acha bacana a historieta e resolve difundir fazer uma propagandinha.

Existem aqueles – quase na sua maioria - que se apropria do causo, fala que foi ele, ou mesmo um parente, primo, cunhado, vizinho... mentira, mesmo por que não existe causo na gênese efetivamente vivido. Causo quase sempre é aumentado pelo seu atual contador, você ouve o causo aqui em São Paulo, chega em Minas o causo já ta outra coisa, há quem diga que ninguém jamais ouviu um causo originalíssimo, do tipo que foi contado da mesma forma que ocorreu, e quem já ouviu um causo assim xííí... já até pereceu.

Tem causo engraçado, causo dramático, causo suspense e até causo romântico.

Eles surgem nos mais variados lugares, no banquinho da praça, no barbeiro, no boteco, na “mercearia” – diga-se de passagem, quase extinta hoje em dia – na pelada do final de semana, enfim qualquer lugar que tiver um caipira, um peão, um velhinho, um malandro a toa um conversador, lá tem um causo sendo contado (agora mesmo deve ter alguém contando um).

O fato é quem vai contar um causo agora sou eu, é bem pequenininho assim, mais é um causo interessante.

Lá pelas bandas de Minas Gerais, pra aqueles lados bem distante de tudo nesse mundão a fora havia um casal lindo e feliz, um casal de namorados - quase noivos - Ritinha e Frederico, Ritinha moça trabalhadera ajudava a mãe nos afazeres do sitio. Sítio que o pai herdara do avô de Ritinha, sitio esse nem pequeno nem grande, nem farto mais que também não deixava fartar nada naquela mesa. Enquanto Frederico também, não menos trabalhador lidava com esses negócios de gado na fazenda de seu Firmino, desde muito pequeno depois que o pai faleceu, teve que se virar para ajudar a mãe já muito doente com três irmãos pequenos em casa.

Mais o causo é que Ritinha e Frederico se amavam muito e já iam esses dois para o quinto ano de namoro e Frederico anunciara o noivado para todo o povo e à família da moça há umas duas semanas atrás, ou seja, já não eram mais namorados e sim noivos - que é um passo importante para o casório -. E casamento no interior é coisa séria, interior é lugar de gente Católica Apostólica Romana praticante e séria, isso mesmo, séria, e na casa de Ritinha não havia de ser diferente, tanto dona Zéfa quanto Ritinha e seu Pedro pai de Ritinha – os três devotos de Santa Rita de Cássia – freqüentavam a igreja regularmente como dita as premissas eclesiásticas.

Mais voltando ao casal, Frederico, o futuro esposo de ritinha, sentia-se meio fastigado dessa vida um tanto quanto sem sal do casal, porque convenhamos não é fácil resistir aos declínios do pecado, e cinco anos só de mãos dadas e uns beijinhos mirrados às escondidas é só para quem tem sangue frio de verdade. Pois bem, num belo dia chega a fazenda de seu Firmino, uma égua muito da bonita, égua de “Raça” égua reprodutora de alto estirpe, daquelas Lusitanas de sangue puro, uma belezura que só –de pouca importância no causo - e Frederico por essa época fica encarregado de cuidar da égua, já que Frederico sendo o funcionário velho da fazenda, sabia como ninguém quais os cuidados que uma égua daquelas deveria ter.

Frederico se encontrava com Ritinha cerimoniamente quatro vezes na semana, a distância e os afazeres dos dois impediam tal regalia de encontros excedesse essa quantia, pois bem, dias como terça, quinta, sábado e no domingo era só “dengo” para cá “te amo” para lá, como qualquer casal normal apaixonado faz. Mais acontece é que Frederico “andava meio desligado” do mundo com essa coisa de namoro, não sei por que cargas d’gua Frederico depois de muita conversa convence Ritinha de que a fazenda estava passando por reformas e que teria que pular a quinta dos dias de encontro. Revoltada Ritinha faz um escândalo mais aceita, não de bom grado e com cara de poucos amigos que “Ta tudo bem, mais tóme tento Fredi, é só até essa tar reforma acabar”. E essa era a condição, condição essa mais do que válida.

Passado alguns meses e nada dessa reforma acabar,e Ritinha começa a se enraivecer com a história, mais se contém por que ama o rapaz e também é que ela pressente – apesar dos acontecimento – que o casório vem e vem em breve.

Problema é que Frederico como se não bastasse o pular da quinta, quando vai ao encontro da amada, vai, mais vai meio anuviado dos pensamento, divaga demais enquanto ta lá a moça toda fazendo planos para o futuro dos dois. Olha que não demora para a moça se enervar com o rapaz, e brigas se tornam freqüentes na vida do casal, e olha a mãe da moça apartando daqui e pai do rapaz conversando com ele para tentar reverter o placar.

E Frederico sempre quando no entardecer do dia já anuncia a sua ida para a casa e diz “Ritinha tenho que ir, tenho afazeres na fazenda”, e lá vem a brigaiada, virou um pé de guerra dos infernos, mais a menina é forte e faz promessa para Santa Rita de Cássia para esse casório sair.

Quem conhece e já morou, ou mesmo passou algum tempinho nos interiores desse mundo sabe que uma coisa que tem quase como mato por esses lados é fofoca, e essas sobre Frederico e Ritinha começa a rolar pelo armazém, boteco, campo de futebol, bocha, tudo que é canto que se ia, era só olhar de lado e lá estavam Ritinha e Frederico na boca do povo. Mais muito sábia das coisas da vida dona Zéfa e aconselhou os dois para relevarem as fofocaida do povo e se entenderem como nos velhos tempos. E não é que deu certo, tudo tinha voltado nos eixos novamente – tudo não, ainda sem a quinta e Frederico ainda saindo mais cedo para cuidar da reforma da fazenda de Seu Firmino -.

Pois o meio de ano já se passara e nada de muito interessante por aquelas bandas acontecia. Foi quando em um dia iluminado Frederico – olha que foi em uma quinta feira – aparece na casa da moça e de supetão pede a mão de Ritinha em casamento – para a sua máxima felicidade -. Agora de fato Ritinha conquistaria aquilo que mais sonhara em sua vida, casar.

No intermédio desses meses que antecediam o casamento - pois não disse aqui mais o bendito foi marcado para dia 12/12 - ou seja, bem uns quatro meses para aprontar tudo para o festão, porque Ritinha não se contentaria com uma casóriosinho assim, não era da sua estirpe cafés-pequeno, e para aproveitar a moça ia calar a boa do povo todinho com o baita festão que ia rolar.

E preparativo não faltaram para a festa, e os convivas eram muitos, então Ritinha, Seu Firmino, Frederico e dona Zéfa lá estavam todos os dias até as tantas planejando, e fazendo enfeites, arrumando o barracão, levantando a cerca, comprando as bebidas, enfim botando para ardê.

Ritinha nessa época não largava de Frederico para nada, para lá e para cá, ia e vinha grudado feito chiclete, e por vez e outra o casal tinha que passar pela propriedade de seu Firmino para chegarem à casa da madrinha do moço. Nessas idas e vindas pelo pasto, Ritinha começa a notar que toda vez que o casal passa pela propriedade lá tava a mardita da égua atrás dos dois. E se passaram uma, duas, três e quatro e sempre a mesma história, a égua atrás do casal. Para encurtar a história, num dia bonito de sol lá estava Ritinha esperando o noivo e futuro esposo em casa, mais nesse dia nada de Frederico aparecer, já irritada ritinha decide ir atrás de Frederico, já que os dois iam mesmo à casa da madrinha do moço preparar alguns aperitivos – pois faltavam apenas alguns dias para o casório – chegando à fazenda a moça procura Frederico aqui-e-acolá e nada, até que fatidicamente pergunta para Teodoro – um peão novo da fazenda que diz – Frederico ta no curral tratando da lusitana de seu Firmino, e lá vai Ritinha ao encontro do amado, me ocorre nessas alturas que não preciso me estender muito além disso, Ritinha pega no flagrante os dois, Frederico e a sua amante no maior amasso – não bem um amasso mais no a o ato efetivamente, Ritinha alterada termina tudo ali mesmo, na frete os dois, o moço perplexo se desculpa, dizendo ter sido um fraco ,estando muito arrependido – papo de homem – mais o fato é que Ritinha e Frederico não casaram, Frederico foi embora para Belo Horizonte ganhar a vida na cidade grande, Ritinha tornara-se professora da vila (ficando solteirona mesmo por longos anos) e a amante? Essa foi embora para Lisboa dar continuidade na linhagem, égua de raça é assim deve-se aproveitar enquanto ainda esta reproduzindo. Eita égua descarada.

E num é que eu acabei de contar um causo.

Tuesday, September 16, 2008

Essa é para o Santo


Olha, eu tenho exatamente 51 minutos para escrever isso aqui, olha que eu não estou brincado, pois se eu exceder essa meta ficarei um tanto quanto insatisfeito comigo “mesmo”.

Pois bem, antes de mais nada o problema é o seguinte, ando meio em desalento com uma coisa que percebi há um tempo atrás, uns 15 dias. Eu sei que vou novamente ser chato e prolixo – e isso realmente é uma marca minha – e vamos concordar que já não tem mais jeito, mas esse blog tornou-se aquilo que eu mais temia nesta vida, ele realmente está com uma cara dos infernos de “diário” de adolescente, nada contra, pelo contrário há muita coisa bem bacana por ai, é que não combina muito comigo, talvez até combine, mas sei lá, foda-se também.

Voltando ao assunto de ser chato vamos às vias de fato - olha que rimou-, comecei com um “cardinal” ali vocês perceberam não foi , pois é, e não foi de propósito, pelo contexto pediria mesmo isso ai. Bom, não bancando o pertinente e descrente de algumas coisas do mundo, tão pouco desmistificador da secularidade do assunto a frente , mais devo confessaruma coisa, estava eu com meus botões pelos os bares afora e percebi que...continua ai embaixo

Você vai no bar pede uma dose de qualquer etílico, vodka, pinga, menta, conhaque –muito apreciado por “mim” diga-se de passagem – Martine e por ai vai, e o cara do lado de dentro do balcão te serve naquele copo americano uma dose de qualquer veneno deste. E você dá aquele primeiro gole sarado na “mardita”, guenta firme dá um tempo, ouve uma conversa de tiozão aqui, dá uma secada na bunda daquela fulana acolá, e tá tudo tranquilo.
Segunda etapa, é hora de encarar uma outra golada, você já afeiçoado com o liquido levanta o copo e tóme para baixo. É a hora da filosofia de bar, tú encosta o cotovelo no balcão, e começa a pensar sobre a vida e fica ali divagando bem devagar, mais é hora de acordar para ela, então você -o camarada- olha o copo e lá está um meio gole, não um gole efetivamente gole, que nem pende para uma merreca tampouco aquele que te dá a satisfação natural de uma goela cheia de cachaça. É ai que entra a falácia, o cara não vai beber algo indefinidamente como um gole e então que se faz o desperdício e diz “Essa é para o Santo” – nem sempre se fala, apenas inclina-se o copo e bye-bye, e quem sai sorrindo é o dono do bar.

Você sentiu tamanho da encrenca que os donos de bares se meteram, além de estarem incitando a Heresia, pois ninguém oferenda de coração ao Santo, mais porque é induzido ao mesmo, e outra, o consumidor é de forma clara obrigado a tomar outra dose e outra dose tornando um circulo "vicioso" induzindo o consumidor a atrelar-se ao seu estabelecimento e outros


Pois bem, faltam apenas 2 minutos para os 51 cravados, e fica aqui minha indignação com todos os servidores de cachaça pelos botecos afora, e eles pensam que me enganam




E aproveitando o ensejo, abaixo aos copos americanos, tinha que ser americano pô. (risos)

Sunday, September 07, 2008

Estou meio cansado confesso; não me movo quase; acordo bem cedo todos os dias, e lá está o cheiro de óleo diesel misturado a imagens infantis, músicas da alma (seja lá o que for isso), desejos do infinito. Imagino o infinito, fechado os olhos, vejo uma luz ziguezagueando, aumentando e diminuindo constantemente. Deve ser, só pode. E bem pesado, quase absoluto.

Mais as sextas feira eu tomo fôlego, vou ver a “Nega”, ouvir um samba antigo no rádio, beber aquela cerveja forte, sorrir mais alto...

Mais naquele dia a imagem mais linda que vi foi a de um andarilho com uma flor na mão

Sunday, August 31, 2008

Por essa luz que me alumia, eu confesso que resisti até o ultimo momento a não escrever essa ultima postagem, no entanto os despautérios que venho enfrentando de duas pessoas- que eu juro não falar nome aqui (Juliana e a Vivi ops escapou) onde as mesmas vem me chamando de “Esquerda” que por si só é uma falácia, então utilizo uma ferramenta covarde, então lá vai.



Abril, 12 de 1945 – Meditação entre quatro paredes: Sou um animal político ou apenas gostaria de ser? Esses anos todos alimentando o que julgava idéias políticas socialistas e eis que se abre o ensejo para defendê-las. Estou preparado? Posso entrar na militância sem me engajar num partido? Minha suspeita é o partido, como forma obrigatória de engajamento, anula a liberdade de movimentos, a faculdade que tem o espírito de guiar-se por si mesmo e estabelecer ressalvas à orientação partidária. Nunca pertencerei a um partido, isto eu já decidi. Resta o problema as ação política em bases individualistas, como pretende a minha natureza. Há uma contradição insolúvel entre minhas idéias ou o que suponho minhas idéias, e talvez sejam apenas utopias consoladoras, e minha inaptidão para o sacrifício do ser particular, crítico e sensível, em proveito de uma verdade geral, impessoal, às vezes dura, senão impiedosa. Não quero ser um energúmeno, um sectário, um passional ou um frio domesticado, conduzido por palavras de ordem. Como posso convencer a outros, se não me convenço a mim mesmo? Se a inexorabilidade, a malicia, a crueza, o oportunismo da ação política me desagradam, e eu, no fundo, quero ser um intelectual político sem experimentar as impurezas da ação política? Chega, vou dormir.

Trecho extraído do livro “O observador do escritório” do escritor Carlos Drummond de Andrade.

Saturday, August 09, 2008

Noites assim.



Deveria me opor a escrever em momentos assim, é injusto com tudo que é mais sagrado e injusto comigo mesmo.
Nestes instantes tudo soa estranho, indefinido e ao mesmo tempo voraz. Vem ofegante de tal maneira que te sufoca te mata cortando a carne profundamente.

E por que escrever nesses devaneios? Somente para respirar um pouco, colocar a cabeça para fora d’agua e voltar a mergulhar, colocar a cabeça para fora d’agua e voltar a mergulhar, em um compasso seguindo o caminho, o caminho da palavra , palavra que me salva, salva o menino matuto, salva o rapaz cosmopolita, salva do mundo bandido, salva das coisas bandidas.

Esse barulhinho de tecla apertada, do papel amassado, da chuva no telhado da casa, o barulho da poesia boa, é o barulho da palavra. Palavra só tem barulho, barulho que é som, som que vira calma, calma somente para aqueles quem tem alma, a alma herége e sem perdão.
Palavra amiga, do afã natural das coisas boas da vida, o afã da Boêmia.

E um brinde, um brinde à toda palavra que se finda, que só essa merece o aplauso que de fato se deve ter tal palavra, palavra sã, que cura sem querer ter para si algo em troca, palavra desprendida, desapegada, livre e só, apaixonadamente absoluta.


Essa noite precisei da palavra, muito mais do que naturalmente a palavra precisaria de mim, e por isso a palavra não saiu, fiquei sem ela, ela sem eu, os dois desvairados virados nesta cama, sem se entender, separados com a dor infinita nas mãos, que definitivamente não quero mais ter.


Mas de qualquer forma Viva a palavra!...

Wednesday, July 30, 2008

Bom, é hora de confessar algumas coisas sobre minha existência, e para começar venho a público declarar minha inutilidade funcional. Explicando em miúdos, não sou bom em nada na vida, mais ou menos naquilo, meia fôia naquilo ali, dá pro gasto naquela outra coisa ali.
Sabe, não é que eu depois dos 26 anos vou fazer “draminha” com a vida -à essa altura do campeonato já não pega muito bem- nem tenho muita envergadura para os “ismos” do universo, niilismo, existencialismo, e tão pouco faço parte dos bacamartes da vida que ficam no canto ali reclamando que “nada na vida da certo para mim” (do desenho animado Bacamarte e Chumbinho, fui lá no fundo do baú agora não foi)
E muito embora depois de publicado este tópico, virá uma galera dizendo “Você tem um monte de outros talentos” ou “Você não sabe como és especial” ou até mesmo “Veja como você escreve bem!”, sejamos realistas vai.
O fato é que eu nasci gauche mesmo, daqueles que nada vai muito além do óbvio, e quer saber, eu até já acostumei.
E lá vai a lista não completa da minha inutilidade, não sou bom em informática e nem em tecnologia como pessoas da minha geração, tenho poucas inclinações para arte, não sei desenhar, toco um violão que chora de raiva quando o pego. Fotografia? não entendo pacas, olho, olho de novo, olho mais uma vez, e para ter certeza que não entendi, olho mais uma vez e caio na real, “pois é...muito legal”

Matemática, sou um imbróglio, pouca aptidão com os números (o vestibular que o diga hunf), a gramática não menos que a última,um malogro, espero ansiosamente a reforma ortográfica que está por vir ai-como dizem as más línguas- no ano que vem.

Mas na verdade o que me conforta é que como já diz o velho ditado-que eu não sei se é velho tão pouco ditado- “Se você acha que canta mal, não esquenta, tem sempre alguém que canta pior que você”.

Mais quer saber, o importante é ter saúde não é mesmo?.


Obs: - Que fique bem claro uma coisa, isso não se estende ao âmbito amoroso conjugal tá.

Tuesday, July 22, 2008

Seria cômico se não fosse trágico

George W. Bush e Tony Blair estão num jantar na Casa Branca.
Um dos convidados aproxima-se deles e pergunta-lhes:
- Sobre o que estão a conversar de forma tão animada?
- Estamos a fazer planos para a terceira Guerra Mundial, diz Bush.
- "Uau!", diz o convidado. E quais são esses planos?
- Vamos matar 200 milhões de muçulmanos e 1 dentista,
responde Bush.
O convidado parece confundido e pergunta:
- Um... dentista? Por que é que vão matar um dentista?
Blair dá uma palmada nas costas de Bush e exclama:
- Não te disse? Ninguém irá perguntar pelos muçulmanos.

Friday, July 11, 2008

Essa carta foi encontrada casualmente em um banco de ônibus na cidade de São Paulo no ano de 1998 e está sendo publicada só agora, passados dez anos.
E por que publicar uma carta achada no ônibus? Simplesmente pelo seu conteúdo desesperador, lúdico e poético, ninguém em suas piores faculdades mentais escreveria tal carta, ou melhor, escreveria com tanta maestria e não a entregaria.
Um homem e um dilema, um amor que transgride a pele entra nos olhos ficando ali guardado, com o peito marcado a ferro.



01 de Dezembro de 1998, Terça Feira

Deite-me ontem às 21:00, novamente com o nó na garganta usual que me dá quando me vem o choro, tive que recorrer ao papel e a caneta, no entanto não escrevo com a finalidade de espantar os demônios que me afligem constantemente, vim escrever a ti.

Sinto-me cansado desta vida Senhorita, cansado de tudo que não acontece, que só permanece em si um púlpito estático.
São dias tão longos que passo sem conhecer- te, sem saber o tom doce da tua voz, a maciez de tua pele ou mesmo dos passos que tão lindamente dá.
Tamanha é a carga que carrego que deixaste de ser amor ou paixão que sinto por ti, hoje está transformado em loucura, há muito tenho tocado a loucura, e percebo que já não existe mais volta pelo caminho que tenho andado, não culpo-a, culpo as circunstâncias, o tempo e o malogro que me persegue.
E eu pensei que poderia livrar-me da solidão natural da velhice que persegue os boêmios, ledo engano, de tantas mulheres que se deitaram em minha cama, nenhuma se quer trouxe tanto enervamento e fervilhar da face como tu.
E hoje quando sentas ao me lado no coletivo calo-me, sufoco-me e tento não ver a aliança que por muito tempo quis não acreditar anunciar um outro homem em tua vida, e que de fato passados esses 7 anos de nossa muda rotina talvez ele te faz feliz a sua maneira.

Ocorre-me então que não há fuga que me cure, tão pouco suicídio que me mate de verdade para esquecer este amor tão sagaz.
Findo-me aqui com uma angustia eterna de uma decisão que só saberás quando não me ver mais, mesmo sabendo que isso é indiferente para ti e não a mim.
Decidi, vou trocar meu itinerário...

Tuesday, July 01, 2008

Havia anunciado a morte dese blog, mais não resisti...

Duas vozes falando do mesmo olhar.





“Querem ensinar a fazer comida uma nação que não tem ovo na panela”


Fernando Aniteli


“A fome tem uma saúde de ferro, forte como quem come, capaz de derrubar um homem”


Jorge du Peixe



" Senti a fome com um gosto de ferrugem que atormentava minha garganta e a cabeça"



Autor sem importância

Friday, June 06, 2008

Para quem gosta da Cor




Amarelo é a cor das mesas, dos bancos, dos cabos das peixeiras, da enxada e da estrovenga. Do carro de boi, das cangas, dos chapéus envelhecidos, da charque. Amarelo das doenças, das remelas dos olhos dos meninos, das feridas purulentas, dos escarros, das verminoses, das hepatites, das diarréias, dos dentes aprodecidos... Tempo interior amarelo. Velho, desbotado, doente..."

(Renato Carneiro Campos)

Thursday, May 01, 2008

Imagina


Sabe, tenho andado muito saudosista nos meus textos, toda vez que me pego pensando em escrever, requisito a memória para tal, e lá vem a infância, a adolescência, fatos casuais e às vezes nem tão casuais assim.
Mas no fim, do que é feito as palavras se não da própria memória, essa memória tola que insiste em nos acompanhar; muito embora se pudesse levar alguma coisa desta terra para algum lugar após a morte seria minha memória –eu e mais 6 bilhões de habitantes né.
De fato não sei bem onde quero chegar com toda essa ladainha, o assunto é outro, que se não tem muito a ver com o contexto, talvez não tenha realmente é nada, na verdade tudo isso acima foi apenas um pretexto para eu voltar um pouquinho no passado, é lá vamos nós de novo – ou melhor, lá vou eu.

Alguém aqui já viu a Lua Cris?  (Risos por aqui, eu falo como se estivesse escrevendo para A Folha de SP e milhões de pessoas me lessem)
Eu não Vi exatamente a Lua Cris, digamos que o primo mais velho dela.
Sarcasmo a parte não me recordava muito exatamente a data mais como um curioso nato fui procurá-la, e sabia eu apenas que fora nos anos entre, 1990 e 1993, e Tcharamm!!!! Achei.

Foi em 11 de julho de 1991; Em uma dessas manhã frias de julho – essas que não fazem mais – fomos para o pátio entender definitivamente por que cargas d’agua a professora mandara no dia anterior pedir às nossas respectivas mães uma radiografia – ou um pedaço do que seria uma, e bem acho meio improvável uma mãe cortar um pedaço de uma radiografia para levar à escola mas tem louco para tudo, e fiquei mais tarde sabendo seu verdadeiro nome “filme radiográfico”, mais continuemos.

E estávamos lá, lindos e belos no pátio do colégio, tá nem tão lindos e belos assim, mais o que não tínhamos de beleza tínhamos de curiosidade. Fazia um frio cortante, tínhamos árvores a nossa volta que soltavam uma espécie de algodão no ar, sabe aquelas árvores que soltam aquelas coisinhas que o pessoal da sétima arte adora colocar em filmes românticos, essa mesmo, e que me enganaram certinho por longos 10 ou 12 anos pensando que era a “Arvore do algodão” doce ilusão, maldito Professor de biologia.

Colocamo-nos em posição de ataque, segundo prescrições da Professora (Fernanda) levantamos as radiografias em direção do sol e ficamos uns cinco minutos como idiotas ali, confesso que já tinha desistido, mais eis que surge na minha frente um Eclipse Solar, fiquei abestalhado com aquilo, não sabia se o mundo estava para acabar e a radiografia viera para nos proteger, não sabia se eu corria para a sala, se gritava, só sei que fiquei ali paralisado por volta de uns 7 minutos com aquela imagem sem igual na frente dos olhos, que fazia um arco tão lindo no começo e depois virava um olho imenso no céu, e depois outro arco de fogo – algumas Professoras chegavam a dizer que era o olho de Deus, criança acredita em tudo mesmo. Depois disso voltamos à sala para a aula de Ciências da 3° série A entender o que era um Eclipse Solar.





E a Lua Cris ou Eclipse Lunar?
Que é, por sua vez, alteração de eclipse, ecris, lua cris. A Lua Cris só faz originar sofrimentos, infortúnios, desgraças, doença. Ao lado do conhecimento científico do assunto, quanto ao influir cósmico, astronômico, sobre o organismo animal, perdura a superstição importada de além-mar, em era remotas. "O eclipse (ecris, lua cris) da lua é considerado como uma doença dela. A lua aparece amarela, porque está doente de icterícia, e a pessoa que então olhar para ela arrisca-se a pegar a doença" (Vila Cova, de Carros).

Na província brasileira do Maranhão há um grande terror, quando a "lua vai fazer cris", e todos se acautelam. As prevenções são estas: logo que principia o eclipse, acordam as pessoas que estão dormindo, porque, se não as acordarem, ficam sujeitas a dormir eternamente, ou a passar por outro qualquer infortúnio. Todas as pessoas da casa saem para fora, ou para o quintal, gritando às árvores frutíferas: "acorda, acorda, laranjeira, olha a lua cris; acorda, mangueira, segura os frutos e as folhas, olha a lua cris, alguns até dizem que para espantar a lua cris é preciso fazer um bocado de barulho batendo panelas e gritando para desfazer o feitiço.

(J. Leite de Vasconcelos. As tradições populares de Portugal. 23, Porto, 1882; Fernando São Paulo. Linguagem médica popular no Brasil. II, 44-45, Rio de Janeiro, 1936)



E fiquem espertos, o eclipse solar com o maior tempo de duração na fase de total de escuridão em um eclipse acontecerá em 22 de julho de 2009, com 6m39s.

Preparem suas panelas.

Friday, April 18, 2008

O momento em que estamos juntos!


O momento em que estamos juntos é interminável...
Nossos corpos estão tão unidos que posso sentir as batidas do seu coração.
Nossa respiração confunde-se com a do outro...
Nossos movimentos são sincronizados... indo e voltando... para frente
e para trás...
Às vezes pára, e então, quando nos cansamos da mesma posição,
nos esforçamos para mudar, mesmo que seja só por pouco tempo.
O suor de nossos corpos começa a fluir sem nada que possamos fazer...
Um calor enorme parece que nos fará desmaiar... Uma força ainda maior
nos faz ficar ainda mais colados um ao outro e, quando não agüentamos
mais segurar...
Uma voz ecoa em nossos ouvidos:
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*
*
*
*
*
- Estação Sé ...... desembarque pelo lado esquerdo do trem

Saturday, April 12, 2008




Logo depois de ter lido um artigo sobre tecnologia da faculdade, foi que fiquei imaginando e relembrando. Quando era criança, lá para os anos de 1984, me recordo que ficava eu em frente à Televisão assistindo os desenhos animados, e adorava-os principalmente os de ficção cientifica mais precisamente “Os Jetsons”

Era uma família engraçada, sempre rodeada de problemas que vivia no espaço e tinham uma empregada robô a Rosie um cachorro chato e maluco sem contar os elevadores, teletransportadores, escadas rolantes e carros voadores, e eu achava tudo aquilo fantástico e gritava em mim um senso comum que fazia-me acreditar de certa forma naquilo tudo -mesmo sabendo dos absurdos alegóricos que ali existiam.

No entanto eu cresci, sustentei por algum tempo ainda a idéia de que um dia carros voariam, teríamos robôs por toda parte sempre facilitando nossa vida e outras ferramentas que dantes foram idealizadas quando criança lembro-me em ter dado até prazo para que isso acontecesse, ano 2000, esse era o derradeiro ano.

Mas nada aconteceu, surgiram alguns carros elétricos, umas invenções aqui outras acolá, mais nada que me chamasse a atenção de verdade. E de fato nada de muito substancial aconteceu, claro algumas coisas mudaram e muito, os computadores encolheram e ficaram mais acessíveis, surgiu um tal de mp3- mp4, mp5, mp6 mp7 epor ai vai-revolucionando a forma de armazenar música e documentos, dispositivos, softwares, sistemas operacionais, celulares, mídias eletrônicas, TV digital, games interativos e o boom que foi a internet. (tá tudo bem eu sou antiquado, mais idaí)


Mais nada que tinha idealizado acontecera, e meus carros voadores, meus teletranspotadores, meus robôs - alguns japoneses até que se aventuram até hoje em macaquear aquilo que se chama de robô, mais nada que se aproxime de Rosie.

Realmente é uma pena não termos essas coisas, hoje nos ajudariam um bocado,pelo menos em São Paulo, capital do estado homônimo, é a maior cidade do Brasil, das Américas e de todo o hemisfério sul, com seus 19.949.261 habitantes e 6000.000 de carros, que delicia é a São Paulo caos City.



É essa cidade é sim um caos.
Posso até viver sem a Rosie
Mas me diga, como viver sem ela..."São Paulo"

Sunday, March 16, 2008

Lhe permito o mundo e a flor
lhe permito à você
à loucura
o Sol e a terra

As virgens e as marias
as ninfas são suas e minhas quando quiser.
Lhe permito o amor que também é meu
os risos
devaneios e excessos

Permito a fartura
e se lhe faltar não será mais que signos.
pois terá também o céu e o Inferno
Terás o choro e meu abraço farto
os pés descalços e um pouco de palavra
Para viver assim sem fim.

Saturday, March 08, 2008

Na maioria das vezes que passo pela Praça da Sé ou República em São Paulo, me lembro dos Egípcios. Meu professor de química do primeiro ano de cursinho dizia que os egípcios utilizavam a “urina” para desinfetar e limpar suas roupas e outros utensílios. Contou-nos que o processo era simples, eles armazenavam uma quantidade de urina em um local e a deixavam secar, dali surgia um composto químico que auxiliava na limpeza das roupas - desculpe-me a falta de precisão nos argumentos é que eu não lembro o nome do composto na integra. Mas se verdade ou não o que fica sempre no ar é o odor do centro velho.

Centro este lugar de turcos, alemães, angolanos, italianos, japoneses e brasileiros na sua maioria tresloucados, insanos, mendigos, desempregados -por opção ou vitimados- marginais, vendedores de ouro, ladrões do mesmo ouro, evangélicos aos montes, católicos, budistas, franciscanos e umbandas. Coloque-os em um liquidificador de despeje na Sé ou República (não esqueça de untar bem antes a panela)
Às vezes imagino –lá para as 23:00 da noite - que deve existir uma cidade secreta por debaixo do centro velho de São Paulo, pra onde vai tanta gente assim? Esses acima, com aparência dos “Sem casa” “Sem comida” “Sem tudo”. No final do dia quando anoitece e essa galera em sua maioria simplesmente desaparece, fica aquele vazio, um monte de concreto carregado de gritos e lamentações.

Mas o senhor” Kassab”, por influência do Senhor “José Serra” e esse por sua vez pelo Sr. Alkimin, pupilo do Mario Covas, está tentando revitalizar o centro velho. Criando áreas Anti-Mendigos, regurgitando os nordestinos da cidade dando-lhes 3 mil reais e mais a passagem para manda-los de volta para casa , está expulsando famílias de prédios abandonados para oferecer de mãos beijadas às operadoras de telemarketing e prestadoras de serviço, sem respeitar a moralidade humana, deixando a margem mais uma parcela da sociedade sem ao menos, dar-lhes esclarecimentos minimamente plausíveis pela reiteração de posse dos imóveis.

Pois bem “Então voltemos à história dos subúrbios”

Friday, February 22, 2008

Pois enfim retornei a faculdade (Não do jeito que queria mais voltei), foram três anos fora deste antro. E foi exatamente este retorno que fez lembrar de um dos episódios mais marcante pra mim, que ficou tatuado a fogo em pele.




Algo não estava nos seus eixos naquela manhã, minha mãe acordara mais cedo do que de costume e eu quase não dormi..
Àquela altura já pressentira o pior, tomei café ansioso, com a náusea comum que sinto quando o coração palpita.
Algumas precipitações já vinham dias antes. A roupa mais nova, bolsa, tênis e material escolar, e vem pra meu lado dizendo.
- Vamos mocinho, e que quase me arrastando, vi nos olhos do irmão mais velho o sarcasmo, o cáustico o sorriso agreste denunciando a desconstrução viva e anunciada.
Cheguei à escola, e o que parecia aquilo? Coisa parecida não teria ainda visto.
Deixou-me carinhosamente dizendo para ficar bem, se comportar e que ao final da aula meu irmão me levaria para casa.
Inevitavelmente sucumbi, ânsia e choro se confundiam. Sentei-me e com olhos novos, vi ali entrarem muitos igual a mim, rostos esquálidos, desconfiados, chorosos, nascendo e morrendo a todo momento, corpos duros estatuados, imaginei que poderia ser uma espécie de ritual de iniciação, logo passou.
Alguns personagens também me marcaram, se arrastaram comigo por um longo tempo, tempo esse inescrupuloso, voráz.
Paulo César ao entrar na sala foi criatura sólida absoluta, admirei a tal astúcia do menino, parecia ter conhecimento de causa, propriedade suficiente para entrar daquela forma ali, diferia-se da maioria, mas por pouco tempo. Logo descobriram que chorava ao fechar a porta –tivemos que assistir às aulas um bom tempo com a porta aberta, ninguém agüentava seus lamentos ensurdecedores.
Mara, criatura que rendeu labuta a professora e a sua mãe por muitas as manhãs, simplesmente para entrar na sala, ela agarrando-se ao batente da porta com mil tentáculos que depreendiam de um ser só. E não havia agrado que a fizesse tira-la daquela situação.




Dona Cida “A Professora” essa sim a iniciadora nas letras, pessoa serena, que com paciência e sagacidade encarou mais um punhado de seres e levou-nos no caminho do conhecimento. Fico feliz depois de todo esse tempo passado, lamento não poder voltar e abraça-la mais, ser mais persistente nos círculos e pauzinhos que nos era designado, poderia ter feito mais e melhor a todo tempo, mas como adivinhar. Mas sou feliz hoje por ter essa memória cheia de rabiscos e a vontade de expor todas em panos branco ao passo da saudade.