Pois enfim retornei a faculdade (Não do jeito que queria mais voltei), foram três anos fora deste antro. E foi exatamente este retorno que fez lembrar de um dos episódios mais marcante pra mim, que ficou tatuado a fogo em pele.
Algo não estava nos seus eixos naquela manhã, minha mãe acordara mais cedo do que de costume e eu quase não dormi..
Àquela altura já pressentira o pior, tomei café ansioso, com a náusea comum que sinto quando o coração palpita.
Algumas precipitações já vinham dias antes. A roupa mais nova, bolsa, tênis e material escolar, e vem pra meu lado dizendo.
- Vamos mocinho, e que quase me arrastando, vi nos olhos do irmão mais velho o sarcasmo, o cáustico o sorriso agreste denunciando a desconstrução viva e anunciada.
Cheguei à escola, e o que parecia aquilo? Coisa parecida não teria ainda visto.
Deixou-me carinhosamente dizendo para ficar bem, se comportar e que ao final da aula meu irmão me levaria para casa.
Inevitavelmente sucumbi, ânsia e choro se confundiam. Sentei-me e com olhos novos, vi ali entrarem muitos igual a mim, rostos esquálidos, desconfiados, chorosos, nascendo e morrendo a todo momento, corpos duros estatuados, imaginei que poderia ser uma espécie de ritual de iniciação, logo passou.
Alguns personagens também me marcaram, se arrastaram comigo por um longo tempo, tempo esse inescrupuloso, voráz.
Paulo César ao entrar na sala foi criatura sólida absoluta, admirei a tal astúcia do menino, parecia ter conhecimento de causa, propriedade suficiente para entrar daquela forma ali, diferia-se da maioria, mas por pouco tempo. Logo descobriram que chorava ao fechar a porta –tivemos que assistir às aulas um bom tempo com a porta aberta, ninguém agüentava seus lamentos ensurdecedores.
Mara, criatura que rendeu labuta a professora e a sua mãe por muitas as manhãs, simplesmente para entrar na sala, ela agarrando-se ao batente da porta com mil tentáculos que depreendiam de um ser só. E não havia agrado que a fizesse tira-la daquela situação.
Dona Cida “A Professora” essa sim a iniciadora nas letras, pessoa serena, que com paciência e sagacidade encarou mais um punhado de seres e levou-nos no caminho do conhecimento. Fico feliz depois de todo esse tempo passado, lamento não poder voltar e abraça-la mais, ser mais persistente nos círculos e pauzinhos que nos era designado, poderia ter feito mais e melhor a todo tempo, mas como adivinhar. Mas sou feliz hoje por ter essa memória cheia de rabiscos e a vontade de expor todas em panos branco ao passo da saudade.
Friday, February 22, 2008
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