E meu doce de Amendoim?
A tensão era geral naquele setembro de 1992, diferente da ditadura que atingiu um pessoal mais politizado e agregado de noções libertárias, o plano Collor deu uma rasteira em todos no país.
Se o mesmo governo que aumentou e delimitou as disparidades sociais, dividindo assim apenas entre os ricos e os pobres, eliminando a classe média, ajudando à concentrar ainda mais a renda já existente, deixou burguesia proletária e especulativa que vinha lucrando absurdamente com os adventos da entrada de capital estrangeiro no pais, como a classe pobre que sustentava a máquina liberal.
Fernando Collor foi o primeiro presidente a ser eleito pelas vias diretas após a ditadura militar, é sabido que por uma eleição enganosa e maniqueísta arraigada de interesses por todos os lados.
Hoje vejo na internet a seguinte nota na internet:
“Fernando Collor teria cogitado o suicídio após o impeachment”
Daí pensei, teria tentado suicido? Pra mim nascido em 1982 que na época tinha meus 10 anos de idade não entendia muito bem a situação, mas era evidente que algo tinha mudado naquele momento.
Meu pai vivia silencioso quando retornava do trabalho -se é que na época estava efetivamente trabalhando ou apenas fazendo “bicos por ai.
Minha mãe no final do mês não me dava aquele doce de amendoim tão esperado, e eu já não comprava mais as figurinhas da “Caverna do Dragão.
Hoje mais sensato da real situação que ocorreu, vejo que centenas de pais de famílias sim se suicidaram, tomados pelo desespero moral de não poder dar às suas famílias o mínimo possível para sobrevivência.
Empresas quebraram, tivemos uns dos maiores índices de desemprego de todos os tempo.
Mas andei vasculhando na internet e vi alguns artigos que refutam a versão contada pela comunidade midiática sobre a derrubada do ex-Presidente Collor. A meu ver, deu-se principalmente pela possível retirada das verbas publicitárias da Globo pela União, em favor da CNT do ex-senador José Carlos Martinez. Segundo relatos, era intenção de Collor e Martinez, fundar uma mega rede de televisão em todo o País, e isto seria a quebra total da Globo. Roberto Marinho jamais permitiria e ágil rápido.É como diz o ditado: " A criatura se volta contra o criador".
E ele diz que pensou em suicídio...
Sunday, September 30, 2007
Sunday, September 16, 2007
Assisti a menos de duas semanas o filme “Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global visto do lado de cá”.
Tive o prazer de assistir-lo no Cine Bombril na avenida paulista, lugar de gente chique, despojada e cult. Fiquei observando toda aquela gente por algum tempo lembrei da letra de Jorge que diz:
“Aqui onde estão os homens/De um lado a cana de açúcar/Do outro lado o cafezal/Ao centro senhores sentados/Vendo a colheita do algodão tão branco/Sendo colhidos por mãos negras”,
Mais de fato aqui as mãos não se resumem ás negras, e ao centro estão os “Jatomóveis” que desfilam suave, sem olhar para os lados recheados de ar condicionado e luxúria.
Sem dúvida o contra-senso falou mais alto, o filme é uma ruptura, é sagaz, cáustico, é dedo-na-ferida-sem dó, é um sinta-se-avontade-para-chorar, e a maioria que ali se encontrava fazia parte da classe média alta, e eu me perguntava o que eles fazem a cá?
Duas semanas depois achei uma pseudo-resposta, li um artigo na internet falando sobre a inauguração do “Museu da Pobreza” ma Dinamarca mais precisamente em “Copenhague” no dia 24. Finalidade do museu? "para que os jovens possam conhecer como era a pobreza quando ela existia” dizem as autoridades. A Dinamarca considera erradicada a pobreza absoluta e de fato deve ter sido mesmo, já que os desempregados recebem salários para se manterem com valores quase de um empregado normal.
No Brasil não é tão diferente, existem aqueles que nunca viram um pobre de perto, não sentiu o cheiro de pobre, encostou em um pobre e por fim ajudou um pobrea carregar uma sacola, e digo aqui "pobre" não o pobre teatral das ruas de São Paulo que pede esmola na Augusta, em frente o “BankBoston”, no “Mac Donalds” do Campo Belo, mas o pobre que trabalha, pega o trem da linha F, dos catadores de papel, dos trabalhadores soturnos, da galera que faz aqui a parada acontecer de verdade.
E é por isso que eles estavam lá, estavam para saber um pouquinho mais sobre a nossa pobreza, sobre o que é ser pobre na America Latina e no Mundo, mesmo que seja apenas pela sétima arte.
Obs. Nosso Presidente esteve na Dinamarca no dia 14.
Tive o prazer de assistir-lo no Cine Bombril na avenida paulista, lugar de gente chique, despojada e cult. Fiquei observando toda aquela gente por algum tempo lembrei da letra de Jorge que diz:
“Aqui onde estão os homens/De um lado a cana de açúcar/Do outro lado o cafezal/Ao centro senhores sentados/Vendo a colheita do algodão tão branco/Sendo colhidos por mãos negras”,
Mais de fato aqui as mãos não se resumem ás negras, e ao centro estão os “Jatomóveis” que desfilam suave, sem olhar para os lados recheados de ar condicionado e luxúria.
Sem dúvida o contra-senso falou mais alto, o filme é uma ruptura, é sagaz, cáustico, é dedo-na-ferida-sem dó, é um sinta-se-avontade-para-chorar, e a maioria que ali se encontrava fazia parte da classe média alta, e eu me perguntava o que eles fazem a cá?
Duas semanas depois achei uma pseudo-resposta, li um artigo na internet falando sobre a inauguração do “Museu da Pobreza” ma Dinamarca mais precisamente em “Copenhague” no dia 24. Finalidade do museu? "para que os jovens possam conhecer como era a pobreza quando ela existia” dizem as autoridades. A Dinamarca considera erradicada a pobreza absoluta e de fato deve ter sido mesmo, já que os desempregados recebem salários para se manterem com valores quase de um empregado normal.
No Brasil não é tão diferente, existem aqueles que nunca viram um pobre de perto, não sentiu o cheiro de pobre, encostou em um pobre e por fim ajudou um pobrea carregar uma sacola, e digo aqui "pobre" não o pobre teatral das ruas de São Paulo que pede esmola na Augusta, em frente o “BankBoston”, no “Mac Donalds” do Campo Belo, mas o pobre que trabalha, pega o trem da linha F, dos catadores de papel, dos trabalhadores soturnos, da galera que faz aqui a parada acontecer de verdade.
E é por isso que eles estavam lá, estavam para saber um pouquinho mais sobre a nossa pobreza, sobre o que é ser pobre na America Latina e no Mundo, mesmo que seja apenas pela sétima arte.
Obs. Nosso Presidente esteve na Dinamarca no dia 14.
Sunday, August 19, 2007
Não sou artista, e nem almejo ser um, mas tenho esse blog e alguns rascunhos de gaveta, e quando se acostuma a rabiscar esses nonadas da vida, quando se perde a indigna inspiração-se é que ela existe-me sinto meio perdido, como diria meu pai um "martelo sem cabo", mas me senti mais aliviado quando li isso aqui.
Tarda-lhe a Idéia! A inspiração lhe tarda!
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento,
Como o soldado que rasgou a farda
No desespero do último momento!
Tenta chorar e os olhos sente enxutos!...
E como o paralítico que, á mingua
Da própria voz e na que ardente o lavra
Febre de em vão falar, com os dedos brutos
Para falar, puxa e repuxa a língua,
E não lhe vem á boca uma palavra!
O martírio do artista.
Arte ingrata! E conquanto, em desalento,
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,
Busca exteriorizar o pensamento
Que em suas fronetais células guarda!
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,
Busca exteriorizar o pensamento
Que em suas fronetais células guarda!
Tarda-lhe a Idéia! A inspiração lhe tarda!
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento,
Como o soldado que rasgou a farda
No desespero do último momento!
Tenta chorar e os olhos sente enxutos!...
E como o paralítico que, á mingua
Da própria voz e na que ardente o lavra
Febre de em vão falar, com os dedos brutos
Para falar, puxa e repuxa a língua,
E não lhe vem á boca uma palavra!
Augusto dos Anjos (Eu)
Sunday, August 12, 2007
Logo que me deito, assim bem tarde, meu semblante vai no contra-fluxo do corpo.
Nessa hora que vejo no teto estrelas atravessarem com feixes de luzes desenhando no cobertor rostos que não vi, e rostos que ainda verei.
Minha avó, meu avô, tios e tias que se foram antes do combinado, todos eles com imagem de bonachões que só as pessoas de boa fé podem ter.
Figuram-me também minha filha, netos, meus esses e de meus amigos, um futuro bonito, sincero de se ver e sonhar.
É quando sem forças mais, desabo em mim e apago as luzes do transpasse das estrelas em um só piscar d’olhos.
E que os anjos digam Amém!
Nessa hora que vejo no teto estrelas atravessarem com feixes de luzes desenhando no cobertor rostos que não vi, e rostos que ainda verei.
Minha avó, meu avô, tios e tias que se foram antes do combinado, todos eles com imagem de bonachões que só as pessoas de boa fé podem ter.
Figuram-me também minha filha, netos, meus esses e de meus amigos, um futuro bonito, sincero de se ver e sonhar.
É quando sem forças mais, desabo em mim e apago as luzes do transpasse das estrelas em um só piscar d’olhos.
E que os anjos digam Amém!
Wednesday, August 01, 2007
Hoje acordei com um refrão de um RAP na cabeça, levantei, sai de mãos dadas comigo, e vi que só me restavam dez minutos para me arrumar em direção a mais um dia de “Lida” (todos os dias é assim, em dez minutos me apronto).
Mas enquanto escovava os dentes, me veio à cabeça uma outra coisa, ou melhor uma cena, a do curta metragem chamado “Nada declarar”, é o retrato da elite brasileira através de um artista em estado crítico, um diretor de cinema concede uma entrevista - enquanto degusta vinhos e tira-gostos. Durante a entrevista, critica os recentes rumos tomados pelo meio artístico brasileiro. Porém, o que acontece na tela é tão revelador sobre essa realidade quanto seu discurso. O filme tem um tom provocador e debochado fala também sobre impressões urbanas e humanas que marcam profundamente um povo e suas mazelas sociais.
E como um autêntico burguês ele não tinha “nada a declarar”o personagem vivido pelo ator Bruce gomlevsky, onde dizia e “desdizia” aleatoriamente. No entanto diferente do que se vê, ele não se perfazia nas questões, discorria apenas do que vivenciava, e isso é sem dúvidas seria um marco na história, um burguês não hipócrita!!!
Agora por que estou falando isso? Sei lá, talvez porque tenho um pouco dele, ou melhor todos nós somos ou pelo menos seremos assim um dia, eqüidistantes do real, voláteis ao imaginário que dificilmente gostaríamos que voltasse.
Aé, o refrão era do Raper Sabotage e dizia assim:
Musica “O invasor”
{Refrão}
Não sei que mata mais
A FOME O FUZIL OU O EBOLA??
Quem sofre mais os presos daqui ou de angola??
O que nos resta é espalhar que deus existe agora é a hora
Por que a paz plantada aqui irá dar flor lá fora.
É isso...mais nada a declarar.
Mas enquanto escovava os dentes, me veio à cabeça uma outra coisa, ou melhor uma cena, a do curta metragem chamado “Nada declarar”, é o retrato da elite brasileira através de um artista em estado crítico, um diretor de cinema concede uma entrevista - enquanto degusta vinhos e tira-gostos. Durante a entrevista, critica os recentes rumos tomados pelo meio artístico brasileiro. Porém, o que acontece na tela é tão revelador sobre essa realidade quanto seu discurso. O filme tem um tom provocador e debochado fala também sobre impressões urbanas e humanas que marcam profundamente um povo e suas mazelas sociais.
E como um autêntico burguês ele não tinha “nada a declarar”o personagem vivido pelo ator Bruce gomlevsky, onde dizia e “desdizia” aleatoriamente. No entanto diferente do que se vê, ele não se perfazia nas questões, discorria apenas do que vivenciava, e isso é sem dúvidas seria um marco na história, um burguês não hipócrita!!!
Agora por que estou falando isso? Sei lá, talvez porque tenho um pouco dele, ou melhor todos nós somos ou pelo menos seremos assim um dia, eqüidistantes do real, voláteis ao imaginário que dificilmente gostaríamos que voltasse.
Aé, o refrão era do Raper Sabotage e dizia assim:
Musica “O invasor”
{Refrão}
Não sei que mata mais
A FOME O FUZIL OU O EBOLA??
Quem sofre mais os presos daqui ou de angola??
O que nos resta é espalhar que deus existe agora é a hora
Por que a paz plantada aqui irá dar flor lá fora.
É isso...mais nada a declarar.
Thursday, July 26, 2007
Queria escrever sobre coisas tão importantes e lindas que nem sei como seriam. Buscar lá na memória coisas fora do absoluto e concreto.
Escrever sem sentido como agora, sem necessidade de escrever, desprendido de tudo que há, ser o maior prolixo que já existiu, falar e falar e falar compulsivamente, sem ninguém para me ouvir, só o silêncio, o branco, bem grande e onipresente.
Será eu e só.
Ficar distante o bastante de mim, me sobrevoar e lá de cima ver que sou um tanto volátil e ignaro, e ficar feliz por isso, verei quem realmente sou, tentar de alguma maneira melhorar, a auto-flagelação.
Ver a felicidade estampada perto das letras.
Na verdade, não há verdade e tudo é mentira, pura falsidade.
Morrer também seria bom, um final brilhante, dormir e “acordar morto” em um dia frio, se possível sábado.
Pouca gente no meu velório, só meu cachorro sarnento chamado “Assis”, uma velha vizinha Dona Esmeralda, o cara do aluguel (nem sei seu nome, mas o chamo de Sr. Furato, todos os chamam assim).
Algumas velas acesas, pouca luz, um cheiro insuportável de sessão da tarde. Ninguém chora no meu velório, também não conversam, só estão fazendo uma sala para o desconhecido.
E eu estou com um sorriso estampado, daqueles que minha mãe dizia ver nos velórios que ia.
E assim findava meu dia...
Mas só Assis me acompanhava até o túmulo, me cheirava e dava o ultimo latido.
Ta vendo consegui ser prolixo...rs
Escrever sem sentido como agora, sem necessidade de escrever, desprendido de tudo que há, ser o maior prolixo que já existiu, falar e falar e falar compulsivamente, sem ninguém para me ouvir, só o silêncio, o branco, bem grande e onipresente.
Será eu e só.
Ficar distante o bastante de mim, me sobrevoar e lá de cima ver que sou um tanto volátil e ignaro, e ficar feliz por isso, verei quem realmente sou, tentar de alguma maneira melhorar, a auto-flagelação.
Ver a felicidade estampada perto das letras.
Na verdade, não há verdade e tudo é mentira, pura falsidade.
Morrer também seria bom, um final brilhante, dormir e “acordar morto” em um dia frio, se possível sábado.
Pouca gente no meu velório, só meu cachorro sarnento chamado “Assis”, uma velha vizinha Dona Esmeralda, o cara do aluguel (nem sei seu nome, mas o chamo de Sr. Furato, todos os chamam assim).
Algumas velas acesas, pouca luz, um cheiro insuportável de sessão da tarde. Ninguém chora no meu velório, também não conversam, só estão fazendo uma sala para o desconhecido.
E eu estou com um sorriso estampado, daqueles que minha mãe dizia ver nos velórios que ia.
E assim findava meu dia...
Mas só Assis me acompanhava até o túmulo, me cheirava e dava o ultimo latido.
Ta vendo consegui ser prolixo...rs
Tuesday, July 24, 2007
Se eu tivesse, o que seria.
Seria mais vida
mais saltos
vôos tão longos
quanto a envergadura da asa
Mas de fato
Sou só um ato.
o primeiro e só
que o que pensa vira pó
Preciso de um gole de conhaque
E daquela lua lá atrás
Das minhas mentiras verdadeiras
Do sorriso amarelo
Do cheiro azedo da cinco horas
Da mão com calos
Da fumaça na cara
Dos joelhos cansados de andar
Da descida que não termina
Do gosto de ferrugem que a fome me trás
Dos olhos ardendo de frio
Do cabelo irritando na testa
Da cabeça girando
Dos reclames afins
Da má educação
Da vontade de chorar
Do telefone tocando
Do amigo distante
De me confessar
Calcular a altura do tombo
Cortar minhas unhas
Reler meus livros
Preciso parar um momento
E não há o que esconder...
Seria mais vida
mais saltos
vôos tão longos
quanto a envergadura da asa
Mas de fato
Sou só um ato.
o primeiro e só
que o que pensa vira pó
Preciso de um gole de conhaque
E daquela lua lá atrás
Das minhas mentiras verdadeiras
Do sorriso amarelo
Do cheiro azedo da cinco horas
Da mão com calos
Da fumaça na cara
Dos joelhos cansados de andar
Da descida que não termina
Do gosto de ferrugem que a fome me trás
Dos olhos ardendo de frio
Do cabelo irritando na testa
Da cabeça girando
Dos reclames afins
Da má educação
Da vontade de chorar
Do telefone tocando
Do amigo distante
De me confessar
Calcular a altura do tombo
Cortar minhas unhas
Reler meus livros
Preciso parar um momento
E não há o que esconder...
Tuesday, July 03, 2007
"Segunda feira"
Maldito violão imóvel
está há horas me olhando
Feito sorriso agreste
quase cáustico
Maldito violão imóvel
Eu sei o que tú queres
queres vomitar acordes dissonântes
Queres rir de mim,
e ri de mim.
como quem não tem pena
nem perdão
Me machuca a alma
saber da tua "Humanidade"
sincrônico, voraz
Maldito violão imóvel
Maldito violão imóvel
está há horas me olhando
Feito sorriso agreste
quase cáustico
Maldito violão imóvel
Eu sei o que tú queres
queres vomitar acordes dissonântes
Queres rir de mim,
e ri de mim.
como quem não tem pena
nem perdão
Me machuca a alma
saber da tua "Humanidade"
sincrônico, voraz
Maldito violão imóvel
Friday, June 22, 2007
A narrativa a seguir é um dos textos de “O Gozo Fabuloso”, de Paulo Leminski, livro que o escritor e poeta deixou pronto para a publicação antes de sua morte.
Já era uma vezPor Paulo Leminski
Leminski conta a história de uma história sem enredo, em narrativa do livro “O Gozo Fabuloso”
Era uma vez uma história bem pobrezinha, tão pobrezinha que não tinha personagens, não tinha começo, não tinha meio, não tinha fim, nem enredo ela tinha. E para que serve uma história sem enredo?
A pobre da nossa história andava por aí pedindo:
- Um enredo, pelo amor de Deus!
Mas ninguém dá a mínima atenção a uma história sem enredo.
E a historinha sem enredo passava por grandes histórias, cada uma mais orgulhosa do seu enredo.
Uma era a história de um cavaleiro de armadura que atacava até moinhos de vento.
A historinha olhava e dizia:
- Puxa!, isso é que é enredo. Quem dera eu tivesse um enredo assim!
Outra era a história de um médico que virava monstro e de um monstro que virava médico. Tinha também a história de um rei que tinha uma távola redonda. Todas as histórias tinham enredo, menos a nossa.
Um dia, nossa história decidiu, “vou sair pelo mundo e vou encontrar um enredo, custe o que custar”.
Assim, nossa história correu mundo, conheceu todos os lugares, viu cidades imensas, ouviu a queixa das pessoas, o som das trombetas e o barulho dos cascos dos cavalos do rei. Viu bandidos serem enforcados, foi presa, foi solta, foi presa de novo, fugiu.
Assim, os anos se passaram, e assim a nossa história voltou ao ponto de partida. Agora, já era uma velha história, uma história que os pescadores contavam nas noites de lua, as velhas contavam para as crianças dormir, e as pessoas sonhavam quando queriam esquecer da vida.
Um dia, nossa história estava para morrer. Então, ela reuniu em sua volta todas as pequenas anedotas da vizinhança, os episódios mínimos e as piadas sujas e disse:
- Meus amores, antes de partir tenho uma coisa muito importante para contar a vocês, que vão alegrar os homens, fazer as mulheres chorarem e apavorar as crianças.
Já era quase nada, quando conseguiu dizer:
- Era uma vez uma história bem pobrezinha, tão pobrezinha que não tinha personagens, não tinha começo, não tinha meio, não tinha fim, nem enredo ela tinha.
E morreu dizendo:
- Para que serve uma história sem enredo?
Já era uma vezPor Paulo Leminski
Leminski conta a história de uma história sem enredo, em narrativa do livro “O Gozo Fabuloso”
Era uma vez uma história bem pobrezinha, tão pobrezinha que não tinha personagens, não tinha começo, não tinha meio, não tinha fim, nem enredo ela tinha. E para que serve uma história sem enredo?
A pobre da nossa história andava por aí pedindo:
- Um enredo, pelo amor de Deus!
Mas ninguém dá a mínima atenção a uma história sem enredo.
E a historinha sem enredo passava por grandes histórias, cada uma mais orgulhosa do seu enredo.
Uma era a história de um cavaleiro de armadura que atacava até moinhos de vento.
A historinha olhava e dizia:
- Puxa!, isso é que é enredo. Quem dera eu tivesse um enredo assim!
Outra era a história de um médico que virava monstro e de um monstro que virava médico. Tinha também a história de um rei que tinha uma távola redonda. Todas as histórias tinham enredo, menos a nossa.
Um dia, nossa história decidiu, “vou sair pelo mundo e vou encontrar um enredo, custe o que custar”.
Assim, nossa história correu mundo, conheceu todos os lugares, viu cidades imensas, ouviu a queixa das pessoas, o som das trombetas e o barulho dos cascos dos cavalos do rei. Viu bandidos serem enforcados, foi presa, foi solta, foi presa de novo, fugiu.
Assim, os anos se passaram, e assim a nossa história voltou ao ponto de partida. Agora, já era uma velha história, uma história que os pescadores contavam nas noites de lua, as velhas contavam para as crianças dormir, e as pessoas sonhavam quando queriam esquecer da vida.
Um dia, nossa história estava para morrer. Então, ela reuniu em sua volta todas as pequenas anedotas da vizinhança, os episódios mínimos e as piadas sujas e disse:
- Meus amores, antes de partir tenho uma coisa muito importante para contar a vocês, que vão alegrar os homens, fazer as mulheres chorarem e apavorar as crianças.
Já era quase nada, quando conseguiu dizer:
- Era uma vez uma história bem pobrezinha, tão pobrezinha que não tinha personagens, não tinha começo, não tinha meio, não tinha fim, nem enredo ela tinha.
E morreu dizendo:
- Para que serve uma história sem enredo?
Sunday, May 06, 2007
Já eram cindo da manhã do dia 06/05/2007,desci as escadas do prédio imaginando ou sugerindo a memória o prelúdio da cidade aquela hora, subi toda a praça da República em passos largos, já que apesar da movimentação urbana do dia, me sinto um tanto desconfortável nesta cidade a essa hora.
A penumbra me da arrepios, e na rua vejo drogados, bêbados, casais, taxistas, calçadas regurgitadas, camisinhas, luzes, fome, frio e eu, tudo misturado ali em uma porção só, com açúcar e um pouco de vinho.
Desci a São João no mesmo ritmo, as imagens se repetiam, mas não me sentia cansado. Foi quando em uma dessas tendas brancas, rodeado por uma luz amarela quase vermelha ou laranja , um homem dançava sozinho ao som da musica urbana das tangentes sociais que dizia assim em uma das ultimas frases que ouvi do “Rap”
“Em Sao Paulo Deus é uma nota de cem reais”
E ainda me sinto um idiota completo, um Semi-Deus obtuso sem discípulos...
É uma pena não ser domingo 23, pois seria dia de “Jorge”
A penumbra me da arrepios, e na rua vejo drogados, bêbados, casais, taxistas, calçadas regurgitadas, camisinhas, luzes, fome, frio e eu, tudo misturado ali em uma porção só, com açúcar e um pouco de vinho.
Desci a São João no mesmo ritmo, as imagens se repetiam, mas não me sentia cansado. Foi quando em uma dessas tendas brancas, rodeado por uma luz amarela quase vermelha ou laranja , um homem dançava sozinho ao som da musica urbana das tangentes sociais que dizia assim em uma das ultimas frases que ouvi do “Rap”
“Em Sao Paulo Deus é uma nota de cem reais”
E ainda me sinto um idiota completo, um Semi-Deus obtuso sem discípulos...
É uma pena não ser domingo 23, pois seria dia de “Jorge”
Monday, April 09, 2007
Na impossibilidade de dizer o que sinto sobre a vida, eu apenas penso, penso que não posso escrever, nem andar, tão pouco respirar-la, não sinto, só fadigo-a.
Vontade de tremer em cima dela, essa vadia sem nome, esse púlpito sem deus.
Vontade de tremer em cima dela, essa vadia sem nome, esse púlpito sem deus.
Gozar dos seres que imagino que não existem, e só assim posso estar em todos os lugares ao mesmo tempo, nos translados da memória, da poesia sem memória.
Sem passado, no passo dos pássaros anuviados.
Sinto que vejo tudo ao meu redor, é infinitamente belo, dos compêndios, dos convivas que me circundam é só luz e saudade, sem dialética, nada sagrado, nem profano apenas a vontade dos pingos chuvosos, da luz da manhã e o escurecer do dia.
Calemos por um instante
diante de nós mesmos
juntemos um montante
do abraço doloroso do dia
jogue-o pela janela
sem rima, sem prece
finde ali
no guardião das coisas sem sentido
onde moram os ventos, as luzes e o movimento das águas perenes.
Sem passado, no passo dos pássaros anuviados.
Sinto que vejo tudo ao meu redor, é infinitamente belo, dos compêndios, dos convivas que me circundam é só luz e saudade, sem dialética, nada sagrado, nem profano apenas a vontade dos pingos chuvosos, da luz da manhã e o escurecer do dia.
Calemos por um instante
diante de nós mesmos
juntemos um montante
do abraço doloroso do dia
jogue-o pela janela
sem rima, sem prece
finde ali
no guardião das coisas sem sentido
onde moram os ventos, as luzes e o movimento das águas perenes.
Monday, April 02, 2007
Canção do “Enfim”
Prefere “Chico” quando acorda
e quando acorda é de mansinho
e deveras preguiça nessa hora,
leva num caminhão
fica sem jeito, mais seu jeito certo de ser
sem mistérios e todo ele.
Vem de dentro pra fora, é que nem vento
Sopra forte quando quer
assusta devagar
e faz chover no amanhecer
Tem carinho, tem amor.
muitos amigos, amigos cada vez mais
Tempoboi, tempo que é só seu
multiplica-o que não sei como foi
Só sei que foi
Não! não sabe o que é.
Sim, sempre de bom grado.
E faz tudo com carinho
cheio de penduricalho
E no finalzinho
Quase acabando a poesia
De cipó, em cipó na vida
te digo querida
não vives,
simplesmente és híbrida
de um sincretismo só e partida.
E é uma pena
ela só não faz cinema...
Prefere “Chico” quando acorda
e quando acorda é de mansinho
e deveras preguiça nessa hora,
leva num caminhão
fica sem jeito, mais seu jeito certo de ser
sem mistérios e todo ele.
Vem de dentro pra fora, é que nem vento
Sopra forte quando quer
assusta devagar
e faz chover no amanhecer
Tem carinho, tem amor.
muitos amigos, amigos cada vez mais
Tempoboi, tempo que é só seu
multiplica-o que não sei como foi
Só sei que foi
Não! não sabe o que é.
Sim, sempre de bom grado.
E faz tudo com carinho
cheio de penduricalho
E no finalzinho
Quase acabando a poesia
De cipó, em cipó na vida
te digo querida
não vives,
simplesmente és híbrida
de um sincretismo só e partida.
E é uma pena
ela só não faz cinema...
Wednesday, March 21, 2007
Ou eu muito me engano Freud afirmou que o ciúme é um sentimento normal, como, por exemplo, a tristeza. Com isso, quis dizer que ele é natural, ou seja, que é inerente à condição humana.
Mas foi ali no Engenho Novo, no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro que Bento de Albuquerque Santiago, mas popularmente conhecido como Bentinho, é que se teceu uns dos maiores romances psicológicos e patológicos de todas as Américas –se não o maior.
A trama é arraigada de fatos malevolentes que circulam as personagens principais, Bentinho e Capitu, que depois de tamanhas intrigas se casam, começando uma nova rodada de peripécias.
No entanto o que chama não só minha atenção mais de milhões de pessoas que o já leram, é a forma que “Machado de Assis” condensa e mistura as posições das personagens como corretas ou lascivas conforme sua condição, ou seja, bentinho afirmava e reafirmava – como se fosse um juiz – que não tinha duvidas da traição de Capitu, muito embora ele sempre deixando a ambigüidade às vistas.
É preciso tomar nota de uma única coisa, o ciúmes que Bentinho sentia. Pode-se dizer que doentio, capaz de criar em sua cabeça coisas inimagináveis ou reais, nunca se saberá, no entanto ele sempre patinará nas mesmas esferas. De certo nos provou que com quase que conhecimento de causa, sobre os reflexos que o ciúmes tem sobre ser humano, é a famosa psicologia reversa, com efeito e causa.
E segue o texto.
CAPITÙLO CXLVIII / E BEM, E O RESTO?
Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do coração?
Talvez por que nenhuma tinha os olhos de ressaca, de cigana oblíqua e dissimulada. Mas não é este propriamente o resto do livro. O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada por algum incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus dos meus primeiro ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. XI vers. 1: “Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se metas a enganar-te, com a malícia que aprender de ti”. Mas eu creio que não, e tú concordarás comigo; se te lembras bem de Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca.
E bem, qualquer que seja a solução, uma coisa fica, e é a suma das sumas, ou o resto do restos, a saber, que minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me...A terra lhes seja leve! Vamos à história dos Subúrbios .
Machado de Assis, Dom Casmurro.
Mas foi ali no Engenho Novo, no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro que Bento de Albuquerque Santiago, mas popularmente conhecido como Bentinho, é que se teceu uns dos maiores romances psicológicos e patológicos de todas as Américas –se não o maior.
A trama é arraigada de fatos malevolentes que circulam as personagens principais, Bentinho e Capitu, que depois de tamanhas intrigas se casam, começando uma nova rodada de peripécias.
No entanto o que chama não só minha atenção mais de milhões de pessoas que o já leram, é a forma que “Machado de Assis” condensa e mistura as posições das personagens como corretas ou lascivas conforme sua condição, ou seja, bentinho afirmava e reafirmava – como se fosse um juiz – que não tinha duvidas da traição de Capitu, muito embora ele sempre deixando a ambigüidade às vistas.
É preciso tomar nota de uma única coisa, o ciúmes que Bentinho sentia. Pode-se dizer que doentio, capaz de criar em sua cabeça coisas inimagináveis ou reais, nunca se saberá, no entanto ele sempre patinará nas mesmas esferas. De certo nos provou que com quase que conhecimento de causa, sobre os reflexos que o ciúmes tem sobre ser humano, é a famosa psicologia reversa, com efeito e causa.
E segue o texto.
CAPITÙLO CXLVIII / E BEM, E O RESTO?
Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do coração?
Talvez por que nenhuma tinha os olhos de ressaca, de cigana oblíqua e dissimulada. Mas não é este propriamente o resto do livro. O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada por algum incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus dos meus primeiro ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. XI vers. 1: “Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se metas a enganar-te, com a malícia que aprender de ti”. Mas eu creio que não, e tú concordarás comigo; se te lembras bem de Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca.
E bem, qualquer que seja a solução, uma coisa fica, e é a suma das sumas, ou o resto do restos, a saber, que minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me...A terra lhes seja leve! Vamos à história dos Subúrbios .
Machado de Assis, Dom Casmurro.
Friday, March 09, 2007
Moro em um lugar privilegiado da Grande São Paulo-pelo menos pra mim, distante uns 100 Km da capital, em uma cidade chamada Arujá. Muito embora não deixe de ser uma cidade, tem aquis uns 50 mil gatos pingados, no entanto inconseqüentemente resido eu ainda um pouco mais para a costa do pacifico (interior) nas tangentes extremas da cidade.
Lugar aonde não chega as mais diversas tecnologias e comodidades do mundo moderno. Aqui neste bairro, não tenho tv a cabo, não tenho internet banda larga, não tenho grandes redes de supermercados ao alcance das mãos, a comodidade dos mega hospitais, a interatividade social dos Barzinhos da noite.
Mas sabe por que gosto deste lugar.
Gosto porque aqui consigo ver e ouvir a chuva vindo bem ao longe, fazendo um barulho bom “acalmador’ “sussegante”, e um barulho como som de nome de Avó, daquelas bem bonachonas e cantantes.
Gosto porque aqui aprendi a nadar nos lagos quando menino, andar de bicicleta, jogar pião, soltar pipa e fazer também – já que hoje existem lojinhas especializadas em artigos de pipa.
Gosto porque aqui ainda persiste uma mata linda quando abro a janela.
Gosto por causa das goiabeiras, pés-de-ameixa, bambuzais e tangerinas de sabores e odores infinitos.
Gosto do Sabiá cantando de manhã no abacateiro.
Gosto porque aqui eu vivi criança, as espertezas e peraltices dos amores infantis.
Gosto porque aqui não “era” mais um rosto, um vizinho novo, um estranho, era parte da rua, das confusões de todos dos absurdos do cotidiano.
Gosto porque aqui aprendi o que é ter caráter.
E por fim gosto simplesmente porque gosto, como outras infinidades mais.
Escrevendo isto me veio um poema do capitão do mato.
Olhe Aqui, Mr. Buster
Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes
Olhe aqui, Mr. Buster: está muito certo Que o Sr. tenha um apartamento em Park Avenue e uma casa em Beverly Hills.
Está muito certo que em seu apartamento de Park Avenue O Sr. tenha um caco de friso do Partenon, e no quintal de sua casa em HollywoodUm poço de petróleo trabalhando de dia para lhe dar dinheiro e de noite para lhe dar insônia
Está muito certo que em ambas as residências O Sr. tenha geladeiras gigantescas capazes de conservar o seu preconceito racial Por muitos anos a vir, e vacuum-cleaners com mais chupo
Que um beijo de Marilyn Monroe, e máquinas de lavarCapazes de apagar a mancha de seu desgosto de ter posto tanto dinheiro em vão na guerra daCoréia.
Está certo que em sua mesa as torradas saltem nervosamente de torradeiras automáticasE suas portas se abram com célula fotelétrica.
Está muito certo Que o Sr. tenha cinema em casa para os meninos verem filmes de mocinho Isto sem falar nos quatro aparelhos de televisão e na fabulosa hi-fiCom alto-falantes espalhados por todos os andares, inclusive nos banheiros.
Está muito certo que a Sra. Buster seja citada uma vez por mês por Elsa Maxwell E tenha dois psiquiatras: um em Nova York, outro em Los Angeles, para as duas "estações" do ano.
Está tudo muito certo, Mr. Buster – o Sr. ainda acabará governador do seu estado E sem dúvida presidente de muitas companhias de petróleo, aço e consciências enlatadas.
Mas me diga uma coisa, Mr. Buster
Me diga sinceramente uma coisa, Mr. Buster:
O Sr. sabe lá o que é um choro de Pixinguinha?
O Sr. sabe lá o que é ter uma jabuticabeira no quintal?
O Sr. sabe lá o que é torcer pelo Botafogo?
Sem mais reminências
Lugar aonde não chega as mais diversas tecnologias e comodidades do mundo moderno. Aqui neste bairro, não tenho tv a cabo, não tenho internet banda larga, não tenho grandes redes de supermercados ao alcance das mãos, a comodidade dos mega hospitais, a interatividade social dos Barzinhos da noite.
Mas sabe por que gosto deste lugar.
Gosto porque aqui consigo ver e ouvir a chuva vindo bem ao longe, fazendo um barulho bom “acalmador’ “sussegante”, e um barulho como som de nome de Avó, daquelas bem bonachonas e cantantes.
Gosto porque aqui aprendi a nadar nos lagos quando menino, andar de bicicleta, jogar pião, soltar pipa e fazer também – já que hoje existem lojinhas especializadas em artigos de pipa.
Gosto porque aqui ainda persiste uma mata linda quando abro a janela.
Gosto por causa das goiabeiras, pés-de-ameixa, bambuzais e tangerinas de sabores e odores infinitos.
Gosto do Sabiá cantando de manhã no abacateiro.
Gosto porque aqui eu vivi criança, as espertezas e peraltices dos amores infantis.
Gosto porque aqui não “era” mais um rosto, um vizinho novo, um estranho, era parte da rua, das confusões de todos dos absurdos do cotidiano.
Gosto porque aqui aprendi o que é ter caráter.
E por fim gosto simplesmente porque gosto, como outras infinidades mais.
Escrevendo isto me veio um poema do capitão do mato.
Olhe Aqui, Mr. Buster
Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes
Olhe aqui, Mr. Buster: está muito certo Que o Sr. tenha um apartamento em Park Avenue e uma casa em Beverly Hills.
Está muito certo que em seu apartamento de Park Avenue O Sr. tenha um caco de friso do Partenon, e no quintal de sua casa em HollywoodUm poço de petróleo trabalhando de dia para lhe dar dinheiro e de noite para lhe dar insônia
Está muito certo que em ambas as residências O Sr. tenha geladeiras gigantescas capazes de conservar o seu preconceito racial Por muitos anos a vir, e vacuum-cleaners com mais chupo
Que um beijo de Marilyn Monroe, e máquinas de lavarCapazes de apagar a mancha de seu desgosto de ter posto tanto dinheiro em vão na guerra daCoréia.
Está certo que em sua mesa as torradas saltem nervosamente de torradeiras automáticasE suas portas se abram com célula fotelétrica.
Está muito certo Que o Sr. tenha cinema em casa para os meninos verem filmes de mocinho Isto sem falar nos quatro aparelhos de televisão e na fabulosa hi-fiCom alto-falantes espalhados por todos os andares, inclusive nos banheiros.
Está muito certo que a Sra. Buster seja citada uma vez por mês por Elsa Maxwell E tenha dois psiquiatras: um em Nova York, outro em Los Angeles, para as duas "estações" do ano.
Está tudo muito certo, Mr. Buster – o Sr. ainda acabará governador do seu estado E sem dúvida presidente de muitas companhias de petróleo, aço e consciências enlatadas.
Mas me diga uma coisa, Mr. Buster
Me diga sinceramente uma coisa, Mr. Buster:
O Sr. sabe lá o que é um choro de Pixinguinha?
O Sr. sabe lá o que é ter uma jabuticabeira no quintal?
O Sr. sabe lá o que é torcer pelo Botafogo?
Sem mais reminências
Tuesday, March 06, 2007
Divido o infinito em várias partes
Jogo-as no chão.
E numa poça d’água límpida as vejo
Agitam-se em movimentos excêntricos
Coreógrafa o circense, o labirinto,
o vivo
Eis que me aproximo
e com mãos de deus as pego
algumas escapam
outras gotejam em mim.
Inútil doma-las
No lugar novamente levanto-me.
uns passos ao contrário
rodopio,
e caio de braços na candura do céu estrelado.
Na vida sem fim...
Jogo-as no chão.
E numa poça d’água límpida as vejo
Agitam-se em movimentos excêntricos
Coreógrafa o circense, o labirinto,
o vivo
Eis que me aproximo
e com mãos de deus as pego
algumas escapam
outras gotejam em mim.
Inútil doma-las
No lugar novamente levanto-me.
uns passos ao contrário
rodopio,
e caio de braços na candura do céu estrelado.
Na vida sem fim...
Wednesday, February 21, 2007
Que o ser humano é arraigado de defeitos, isso ninguém prova o contrário, e que a evolução humana vem desgastando costumes, não menos. Quer dizer, poucos são educados, raros são simpáticos, uma pequena parcela ainda contém o atributo “caráter”. Mas tem um em especial, que me leva a uma certa reflexão psicosuicída. A “originalidade’ atire a primeira pedra quem já não copiou um modelito que viu na rua, uma comida que ouviu a senhora dizer no metrô, as frases prontas, o corte de cabelo, até a forma de se falar, ninguém sabe mais quem é quem. Pois é, poucos são originais, diria mais, são raríssimos os que aparecem”.
Um exemplo. Teólogos e estudiosos da área discutem a originalidade da “Bíblia”, dizem que o livro sagrado é um Plágio, e nada mais que um plágio da Mitologia Egípcia, onde hórus(O deus egípcio) foi o Deus solar e o redentor do egípcios. Hórus nasceu de uma virgem. O nascimento de Hórus era festejado em 25 de dezembro.
Hórus também era considerado a luz, o bom pastor, realizava feitos milagrosos e teria 12 discípulos (uma alusão aos 12 signos de zodíaco governados pelo sol). Teria ressuscitado um homem de nome Elazarus (Cristo ressuscitou Lázaro).
E se analisarmos mais apuradamente, percebemos que o mito da virgem grávida, que foge de Herodes em direção ao Egito, para salvar o filho (Jesus) que carrega em seu ventre não é nada mais nada menos que uma reinterpretarão da lenda de Ísis e Hórus fugindo de Seth. Moisés devia de ter tido um ódio infinito dos egípcios, quando escreveu seus livros considerados sagrados desde o início da história do povo judeu (israelitas). Naqueles primórdios ele deve ter feito incríveis peripécias para compilar lendas de vários povos longínquos e introduzi-los em suas narrativas e torná-las tão reais, que até hoje, guerras são travadas por causa destas letras no oriente.
Na esfera da literatura temos “O Roedor” (Paulo Coelho), criador de um Best Seller o célebre livro “O Zahir” livro que lhe rendeu fama e coisitas mas$$, o que pouca gente sabe é que seu livro é extremamente parecido com a história de um dos maiores escritores das Américas “Jorge Luis Borges”
Este que, escreveu sobre o mesmo tema tempos antes que o roedor tivesse titubeado rabisca-lo.
Vale lembrar que esse é apenas um exemplo, se tratando de Paulo Coelho.
Agora a bomba, A Divina Comédia de Dante Alighieri, quem diria, é um plágio. Foram necessários quase seiscentos anos para que isso fosse descoberto e a revelação viesse a público. Talvez este tenha sido o mais longo e fascinante plágio de que se tem notícia. O autor da façanha foi um dos maiores eruditos europeus do fim do século 19 e inícios do 20, o professor e arabista espanhol Miguel Asin Palácios, cuja obra La Escatologia Melómano en la Divina Comédia, publicada 1919, despertou enorme inquietação e uma viva polêmica. E muita indignação dos italianos que tudo fizeram para que ela não fosse editada na Itália.
O professor Asin Palácios, que era membro da Real Academia Espanhola, não satisfeito em demonstrar as semelhanças entre os textos de A Divina Comédia e dos autores muçulmanos, ainda se deu ao luxo de transcrevê-los e compará-los, quando necessário, em latim, espanhol e árabe. Além desse perfeccionismo, ele explica como os textos islâmicos teriam chegado até Dante. Outro trabalho de pesquisa primoroso mostra como aconteceu a absorção do Islam pela Europa Cristã. E mais: com minúcias, descreve as estreitas analogias entre Dante e o sufista cordobês Ibn Masara, para concluir que A Divina Comédia é na verdade uma compilação de textos dos místicos e filósofos muçulmanos e não “uma genial fantasia criadora de Dante”. Ou “um monumento solitário em meio dos desertos medievais”, como gostam de se referir a ela os cultores das orelhas de livros.
As semelhanças são totais. Ali se encontram o mesmo inferno, o mesmo paraíso e até as viagens. A ascensão de Dante e Beatriz, por exemplo, através das esferas do Paraíso, é uma cópia literal da ascensão alegórica de um místico e de um filósofo.
De qualquer forma e independentemente do fato de A Divina Comédia ser um plágio, nem por isso o nome de Dante Alighieri deve ser atirado ao limbo. Não deixa de ser positivo em plena Idade das Trevas, alguém utilizar textos islâmicos. O que deve ter irritado o professor Asin Palácios, profundo conhecedor da literatura árabe, é a insistência de alguns considerarem A Divina Comédia como uma “obra original”. O que confirma mais uma vez que tudo aquilo que chamamos de original é, na verdade, produto direto de nossa ignorância.
Certo dia coloquei em uma destas páginas pessoais da internet a seguinte frase.
“Em tempos de mentiras tão universais, falar a verdade se torna um ato revolucionário”
Eu também sou Humano...
Um exemplo. Teólogos e estudiosos da área discutem a originalidade da “Bíblia”, dizem que o livro sagrado é um Plágio, e nada mais que um plágio da Mitologia Egípcia, onde hórus(O deus egípcio) foi o Deus solar e o redentor do egípcios. Hórus nasceu de uma virgem. O nascimento de Hórus era festejado em 25 de dezembro.
Hórus também era considerado a luz, o bom pastor, realizava feitos milagrosos e teria 12 discípulos (uma alusão aos 12 signos de zodíaco governados pelo sol). Teria ressuscitado um homem de nome Elazarus (Cristo ressuscitou Lázaro).
E se analisarmos mais apuradamente, percebemos que o mito da virgem grávida, que foge de Herodes em direção ao Egito, para salvar o filho (Jesus) que carrega em seu ventre não é nada mais nada menos que uma reinterpretarão da lenda de Ísis e Hórus fugindo de Seth. Moisés devia de ter tido um ódio infinito dos egípcios, quando escreveu seus livros considerados sagrados desde o início da história do povo judeu (israelitas). Naqueles primórdios ele deve ter feito incríveis peripécias para compilar lendas de vários povos longínquos e introduzi-los em suas narrativas e torná-las tão reais, que até hoje, guerras são travadas por causa destas letras no oriente.
Na esfera da literatura temos “O Roedor” (Paulo Coelho), criador de um Best Seller o célebre livro “O Zahir” livro que lhe rendeu fama e coisitas mas$$, o que pouca gente sabe é que seu livro é extremamente parecido com a história de um dos maiores escritores das Américas “Jorge Luis Borges”
Este que, escreveu sobre o mesmo tema tempos antes que o roedor tivesse titubeado rabisca-lo.
Vale lembrar que esse é apenas um exemplo, se tratando de Paulo Coelho.
Agora a bomba, A Divina Comédia de Dante Alighieri, quem diria, é um plágio. Foram necessários quase seiscentos anos para que isso fosse descoberto e a revelação viesse a público. Talvez este tenha sido o mais longo e fascinante plágio de que se tem notícia. O autor da façanha foi um dos maiores eruditos europeus do fim do século 19 e inícios do 20, o professor e arabista espanhol Miguel Asin Palácios, cuja obra La Escatologia Melómano en la Divina Comédia, publicada 1919, despertou enorme inquietação e uma viva polêmica. E muita indignação dos italianos que tudo fizeram para que ela não fosse editada na Itália.
O professor Asin Palácios, que era membro da Real Academia Espanhola, não satisfeito em demonstrar as semelhanças entre os textos de A Divina Comédia e dos autores muçulmanos, ainda se deu ao luxo de transcrevê-los e compará-los, quando necessário, em latim, espanhol e árabe. Além desse perfeccionismo, ele explica como os textos islâmicos teriam chegado até Dante. Outro trabalho de pesquisa primoroso mostra como aconteceu a absorção do Islam pela Europa Cristã. E mais: com minúcias, descreve as estreitas analogias entre Dante e o sufista cordobês Ibn Masara, para concluir que A Divina Comédia é na verdade uma compilação de textos dos místicos e filósofos muçulmanos e não “uma genial fantasia criadora de Dante”. Ou “um monumento solitário em meio dos desertos medievais”, como gostam de se referir a ela os cultores das orelhas de livros.
As semelhanças são totais. Ali se encontram o mesmo inferno, o mesmo paraíso e até as viagens. A ascensão de Dante e Beatriz, por exemplo, através das esferas do Paraíso, é uma cópia literal da ascensão alegórica de um místico e de um filósofo.
De qualquer forma e independentemente do fato de A Divina Comédia ser um plágio, nem por isso o nome de Dante Alighieri deve ser atirado ao limbo. Não deixa de ser positivo em plena Idade das Trevas, alguém utilizar textos islâmicos. O que deve ter irritado o professor Asin Palácios, profundo conhecedor da literatura árabe, é a insistência de alguns considerarem A Divina Comédia como uma “obra original”. O que confirma mais uma vez que tudo aquilo que chamamos de original é, na verdade, produto direto de nossa ignorância.
Certo dia coloquei em uma destas páginas pessoais da internet a seguinte frase.
“Em tempos de mentiras tão universais, falar a verdade se torna um ato revolucionário”
Eu também sou Humano...
Saturday, February 10, 2007

O Silêncio
O mundo, às vezes, fica-me tão insignificativo
Como um filme que houvesse perdido de repente o som.
Vejo homens, mulheres: peixes abrindo e fechando a boca num aquário.
Ou multidões: macacos pula-pulando nas arquibancadas dos estádios…
Mas o mais triste é essa tristeza toda colorida dos carnavais
Como a maquilagem das velhas prostitutas fazendo trottoir.
Às vezes eu penso que já fui um dia um rei, imóvel no seu palanque,
Obrigado a ficar olhando
Intermináveis desfiles, torneios, procissões, tudo isso…
Oh! Decididamente o meu reino não é deste mundo!
Nem do outro…
Mario Quintana
Thursday, February 08, 2007
Tecendo um liame entre minhas angústias atuais e as coisas mundanas que me circundam, heresias, letras, palavras, frases, parágrafos, capitúlos e livros, todos estes pagãos, me recordo que certa vez ouvi a história muito antiga de um escritor alemão que fatídicamente perdeu a mulher e seus dois filhos em uma tragédia automobilística. E imagine você o que este ser fez neste mesmo ano, depois de tanto sofrer escreveu um livro com o título de "As Belezas do Universo", haja força...eu supero.
E eu
Que gastei meus olhos em livros
Perdi e perdi.
sorri e vaguei
Fiquei só
na praia dos sonhos
feito espuma
A vida é uma espuma
E eu
Que gastei meus olhos em livros
Perdi e perdi.
sorri e vaguei
Fiquei só
na praia dos sonhos
feito espuma
A vida é uma espuma
Tuesday, February 06, 2007
Sei que não sou tão assim como a música, é que você é mais ela do que eu, e por isso gosto tanto de vocês.....
"Que os olhos lembrem o que o coração esquecer, estaremos sempre atrás de uma retina...."
Lugares Proibidos
Helena Elis
Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já
Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão
Versos e beijos e o seu nome no cartão
Me leve café na cama amanhã
Eu finjo que eu não esperava
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem datas
Chega mais cedo amor eu finjo que eu não esperava
Aah, Aah, Aah, Aah, Aah
Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz
Adoro a pressa quando sinto sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby com você chegando já
"Que os olhos lembrem o que o coração esquecer, estaremos sempre atrás de uma retina...."
Lugares Proibidos
Helena Elis
Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já
Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão
Versos e beijos e o seu nome no cartão
Me leve café na cama amanhã
Eu finjo que eu não esperava
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem datas
Chega mais cedo amor eu finjo que eu não esperava
Aah, Aah, Aah, Aah, Aah
Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz
Adoro a pressa quando sinto sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby com você chegando já
Wednesday, January 31, 2007
Ando tão sem assunto ultimamente que me envergonho de tal situação. Não, mentira não me envergonho coisa nenhuma, mas isto aqui vicia, no entanto não me penitenciarei por criar mais um vico em mim.
Deixo eles se apropiarem das caus justas e injutas da minha vida, e que seja.....
Há muito tempo atrás escrevi no fundo da memória...
Declaro, para os devidos fins, que sinto e não nego o que descrevo abaixo. Num impulso poético dedico minha declaração aos homens e mulheres que consto na minha adega secreta: Hugo Chávez, Chico Buarque, Fidel, Saramago, Kafka, Sartre, Albert Camus, Nietzsche, Machado, Quantana, Leminsk, Darcy ribeiro, Irmãos Villas Boa, Paulo Sérgio Pinheiro, guerrilheiros do Araguaia, mendigos de São Paulo e Rio, causadores dos incêndios do suburbío de Paris, Gandhi, Celso Martinez, militantes do MST, , àqueles que trabalham ano inteiro para construir o Brasil.
Livres, rasgando o céu insolitamente azul-mesmice, as palavras voam como pombos: graciosas, mas transmissoras de doenças. Juntamos umas às outras para criar a parafernália da mentira, do espetáculo. A Arte não pode ser um narcótico. Temos que enfrentar as raízes de tudo. Eis a Arte: "ser humano, demasiadamente humano". Não posso me conformar com a dor. Quero enfrentá-la em arena despida de esterias e gritos. No silêncio de uma noite enluarada; na sensação refrescante de um dia chuvoso regado a vinho. Não quero ousar procurar jogar na lata de lixo o que há de mais nobre na raça humana: ser humano. Ser livre e poder ser poderoso quanto ao destino. Às escolhas a nossa cortante força, potência máxima de desafiar a mentira: escolhemos o que queremos ser. As consequências são apenas atos a mais na incrível peça. Que se dane a morte, quero vida. Por que carrego no meu peito tanta neurose? Por que sou preso a tantos emaranhados inescrupulosos? Somos desgraçados porque queremos. Mesmo que tenhamos que enfrentar nossas criaturas, sim, nossas mais belísticas criações que militam contra a nossa própria felicidade. Lembrando-me do André: que se foda as cercas, os feudos, as muralhas, os muros! Quero admitir que a vida deve ser a seiva que corre nas minhas veias. E veias abertas ao sangue de toda a humanidade.
Quero beijar a vida. Com meu idioma, minha língua cheia de tesão lambê-la todinha. Sugar dela todo o gosto, todo o sabor. Não fomos feitos sob a tutela da moldura da dor. Somos felizes porque somos considerados imorais, amorais. Não concordamos com tudo porque reconhecemos que nada está pronto. Tudo deverá ser construído a quantas mãos estiverem juntas no processo. Não somos subversivos. São subversivos aqueles que militam contra a liberdade.
Deixo eles se apropiarem das caus justas e injutas da minha vida, e que seja.....
Há muito tempo atrás escrevi no fundo da memória...
Declaro, para os devidos fins, que sinto e não nego o que descrevo abaixo. Num impulso poético dedico minha declaração aos homens e mulheres que consto na minha adega secreta: Hugo Chávez, Chico Buarque, Fidel, Saramago, Kafka, Sartre, Albert Camus, Nietzsche, Machado, Quantana, Leminsk, Darcy ribeiro, Irmãos Villas Boa, Paulo Sérgio Pinheiro, guerrilheiros do Araguaia, mendigos de São Paulo e Rio, causadores dos incêndios do suburbío de Paris, Gandhi, Celso Martinez, militantes do MST, , àqueles que trabalham ano inteiro para construir o Brasil.
Livres, rasgando o céu insolitamente azul-mesmice, as palavras voam como pombos: graciosas, mas transmissoras de doenças. Juntamos umas às outras para criar a parafernália da mentira, do espetáculo. A Arte não pode ser um narcótico. Temos que enfrentar as raízes de tudo. Eis a Arte: "ser humano, demasiadamente humano". Não posso me conformar com a dor. Quero enfrentá-la em arena despida de esterias e gritos. No silêncio de uma noite enluarada; na sensação refrescante de um dia chuvoso regado a vinho. Não quero ousar procurar jogar na lata de lixo o que há de mais nobre na raça humana: ser humano. Ser livre e poder ser poderoso quanto ao destino. Às escolhas a nossa cortante força, potência máxima de desafiar a mentira: escolhemos o que queremos ser. As consequências são apenas atos a mais na incrível peça. Que se dane a morte, quero vida. Por que carrego no meu peito tanta neurose? Por que sou preso a tantos emaranhados inescrupulosos? Somos desgraçados porque queremos. Mesmo que tenhamos que enfrentar nossas criaturas, sim, nossas mais belísticas criações que militam contra a nossa própria felicidade. Lembrando-me do André: que se foda as cercas, os feudos, as muralhas, os muros! Quero admitir que a vida deve ser a seiva que corre nas minhas veias. E veias abertas ao sangue de toda a humanidade.
Quero beijar a vida. Com meu idioma, minha língua cheia de tesão lambê-la todinha. Sugar dela todo o gosto, todo o sabor. Não fomos feitos sob a tutela da moldura da dor. Somos felizes porque somos considerados imorais, amorais. Não concordamos com tudo porque reconhecemos que nada está pronto. Tudo deverá ser construído a quantas mãos estiverem juntas no processo. Não somos subversivos. São subversivos aqueles que militam contra a liberdade.
Monday, January 29, 2007
O antagonismo formal dos seres inanimados da segunda feira de manhã, na aurora buçal da fábula sem nexo.
Dialogo 1
-e ai mano firmeza?
-firmeza.
-E o final de semana, tranquilo.
-Nossa nem te conto malucão fui numa festa...vixe!!, dispiroquei, tomei váááárias, conheci uma mina que sê disacredita.
-É memo?
-Sério, mais se liga a mina bebeu de mais, vomitou todo carro.
-Ai é sem chance, (toca o sinal) Vamu aê.
-Vamu.
Dialogo 2
-Amên irmão.
-Amêêên irmãozinho, como vai essa força?
-Tudo na santa paz do nosso senhor, por que sem ele não somos nada né.
-verdade.
-Irmão peguei dois cultos ótimos neste final de semana...
-É mesmo, onde irmão?
-Um na central, e outro lá no jardim novo éden
-Glória a deus irmão....(toca o sinal)
Dialogo 1
-e ai mano firmeza?
-firmeza.
-E o final de semana, tranquilo.
-Nossa nem te conto malucão fui numa festa...vixe!!, dispiroquei, tomei váááárias, conheci uma mina que sê disacredita.
-É memo?
-Sério, mais se liga a mina bebeu de mais, vomitou todo carro.
-Ai é sem chance, (toca o sinal) Vamu aê.
-Vamu.
Dialogo 2
-Amên irmão.
-Amêêên irmãozinho, como vai essa força?
-Tudo na santa paz do nosso senhor, por que sem ele não somos nada né.
-verdade.
-Irmão peguei dois cultos ótimos neste final de semana...
-É mesmo, onde irmão?
-Um na central, e outro lá no jardim novo éden
-Glória a deus irmão....(toca o sinal)
SÓ UM LEMBRETE
Sobre pessoas que não vêem, que não se vêem, que olham para outro lado através uns dos outros. Esperam, planejam sem sair do lugar, até que percebem que não sabem quem está ao seu lado. Estão cegos para a sua própria vida, que continua a passar. E há um corpo que não espera, que é a nossa medida do tempo, do tempo que ja vivemos, do tempo que talvez ainda nos reste.
"Nesta corrida que todos os dias nos precipita um pouco mais para a morte, o corpo guarda as marcas desse avanço irreparável".
Albert Camus, O Mito de Sisifo
Sobre pessoas que não vêem, que não se vêem, que olham para outro lado através uns dos outros. Esperam, planejam sem sair do lugar, até que percebem que não sabem quem está ao seu lado. Estão cegos para a sua própria vida, que continua a passar. E há um corpo que não espera, que é a nossa medida do tempo, do tempo que ja vivemos, do tempo que talvez ainda nos reste.
"Nesta corrida que todos os dias nos precipita um pouco mais para a morte, o corpo guarda as marcas desse avanço irreparável".
Albert Camus, O Mito de Sisifo
Thursday, January 25, 2007
Tuesday, January 23, 2007
Remexendo minhas xerocópias sobre antropologia encontrei esse belissímo texto do Antropologo Lincon, fiquem a vontade.
"O cidadão norte-americano em seu café da manhã", Ralph Linton, antropólogo.
“O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão, cuja planta se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China. Todos esses materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo. Ao levantar da cama faz uso dos “mocassins” que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no quarto de banho cujos aparelhos são uma mistura de invenções européias e norte-americanas, umas e outras recentes. Tira o pijama, que é vestiário inventado na Índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir dos sumerianos ou do antigo Egito.
Voltando ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu meridional e veste-se. As peças de seu vestuário tem a forma das vestes de pele originais dos nômades das estepes asiáticas; seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra ao pescoço é sobrevivência dos xales usados aos ombros pelos croatas do séc. XVII. Antes de ir tomar o seu breakfast, ele olha ele olha a rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e, se estiver chovendo, calça galochas de borracha descoberta pelos índios da América Central e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas.
De caminho para o breakfast, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu breakfast, com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abssínia, com nata e açúcar. A domesticação do gado bovino e a idéia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia. Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria prima o trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. Rega-se com xarope de maple inventado pelos índios das florestas do leste dos Estados Unidos. Como prato adicional talvez coma o ovo de alguma espécie de ave domesticada na Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no norte da Europa.
Acabando de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador, agradecerá a uma divindade hebraica, numa língua indo-européia, o fato de ser cem por cento americano.”
"O cidadão norte-americano em seu café da manhã", Ralph Linton, antropólogo.
“O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão, cuja planta se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China. Todos esses materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo. Ao levantar da cama faz uso dos “mocassins” que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no quarto de banho cujos aparelhos são uma mistura de invenções européias e norte-americanas, umas e outras recentes. Tira o pijama, que é vestiário inventado na Índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir dos sumerianos ou do antigo Egito.
Voltando ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu meridional e veste-se. As peças de seu vestuário tem a forma das vestes de pele originais dos nômades das estepes asiáticas; seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra ao pescoço é sobrevivência dos xales usados aos ombros pelos croatas do séc. XVII. Antes de ir tomar o seu breakfast, ele olha ele olha a rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e, se estiver chovendo, calça galochas de borracha descoberta pelos índios da América Central e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas.
De caminho para o breakfast, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu breakfast, com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abssínia, com nata e açúcar. A domesticação do gado bovino e a idéia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia. Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria prima o trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. Rega-se com xarope de maple inventado pelos índios das florestas do leste dos Estados Unidos. Como prato adicional talvez coma o ovo de alguma espécie de ave domesticada na Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no norte da Europa.
Acabando de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador, agradecerá a uma divindade hebraica, numa língua indo-européia, o fato de ser cem por cento americano.”
Sunday, January 21, 2007
O período que vai de 1889 a 1930 é conhecido como a República Velha. Este período da História do Brasil é marcado pelo domínio político das elites agrárias mineiras, paulistas e cariocas. O Brasil firmou-se como um país exportador de café, e a industria deu um significativo salto.
É neste mesmo período que se consolida as esferas “Hegemônicas” nacionais. No âmbito governamental deste triangulo tínhamos o “Marechal Teodoro da Fonseca”, isso mesmo o senhor dos combates, que derrotou o levante dos militares contra o fechamento da assembléia e contra a posse do próprio.
Como de costume o Brasil e toda América Latina apesar das confluências políticas e sublevações sociais, não deixava de respirar ares primitivos, monocultor, uma republica não representativa e por fim as mesmas oligarquias de hoje estavam lá em outrora, maniqueísta como nunca.
Nesta mesma época era construída em são Paulo o marco do desenvolvimento, onde seria no futuro -ou seja hoje- o epicentro da economia nacional, lugar onde mandam e desmandam, fazem ou mandam fazer, lugar da especulação financeira, um “Monstro chamado Ego city”, “São Paulo”.
Além de São Paulo, vinha de carona o Rio de Janeiro e sua “Avenida Rio Branco” junto com suas características de Jardim do Éden, e Minas Gerais, que formada de uma Burguesia Elitista de puro ouro e diamante aspirando ideais ilumistas vindos da Europa, representava a última ponta do tridente.
Hoje passados quase de cem anos após a queda da “Política Café com Leite”, os três estratos mais representativos das oligarquias brasileira, sucumbi.
São Paulo, sexta-feira (12) abriu-se uma cratera que tragou carros e caminhões que estavam estacionados na região de Pinheiros (Zona Oeste). E este é um “símbolo da metrópole que exalta o individualismo, pisoteia o bem comum e avança célere rumo à autodestruição”.
Minas geais, última quarta-feira um acidente provocou o vazamento de pelo menos 2 milhões de metros cúbicos de lama no córrego de Bom Jardim, que deságua no ribeirão Fubá, no município de Mirai, a 335 quilômetros de Belo Horizonte, na região da zona da mata em Minas. A lama invadiu as ruas de Mirai e de municípios vizinhos e paralisou as atividades na área atingida e ameaça ainda alguns municípios da região noroeste do Rio de Janeiro que ficaram sem água.
Por favor gritem aos ouvidos do Senhor Governador do estado de Minas Gerais, que já não são tão gerais assim, mais sim parciais, fragmentadas, nas mão de empresários irresponsáveis, ou responsáveis, por que se a tarefa era destruir, eles conseguiram.
Rio de janeiro, O governador do Rio, Sérgio Cabral, estará às 7 horas no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) da Polícia Militar, na Sulacap, onde estão alojados os integrantes da Força Nacional de Segurança. A tropa será apresentada formalmente ao governador. Os homens são comandados pelo coronel Aurélio Ferreira, da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, e usarão 52 viaturas para patrulhar 19 pontos de divisa do estado.
Ta tudo bem, irão falar que no Rio isso é normal.
E as Oligarquias ainda estão por ai meu amigo, se espreitam, rastejam, se escondem de você, não por medo, mas por covardia, atacam pelas costas. Então tenha os olhos bem abertos, duvide de tudo , até mesmo deste Blog.
É neste mesmo período que se consolida as esferas “Hegemônicas” nacionais. No âmbito governamental deste triangulo tínhamos o “Marechal Teodoro da Fonseca”, isso mesmo o senhor dos combates, que derrotou o levante dos militares contra o fechamento da assembléia e contra a posse do próprio.
Como de costume o Brasil e toda América Latina apesar das confluências políticas e sublevações sociais, não deixava de respirar ares primitivos, monocultor, uma republica não representativa e por fim as mesmas oligarquias de hoje estavam lá em outrora, maniqueísta como nunca.
Nesta mesma época era construída em são Paulo o marco do desenvolvimento, onde seria no futuro -ou seja hoje- o epicentro da economia nacional, lugar onde mandam e desmandam, fazem ou mandam fazer, lugar da especulação financeira, um “Monstro chamado Ego city”, “São Paulo”.
Além de São Paulo, vinha de carona o Rio de Janeiro e sua “Avenida Rio Branco” junto com suas características de Jardim do Éden, e Minas Gerais, que formada de uma Burguesia Elitista de puro ouro e diamante aspirando ideais ilumistas vindos da Europa, representava a última ponta do tridente.
Hoje passados quase de cem anos após a queda da “Política Café com Leite”, os três estratos mais representativos das oligarquias brasileira, sucumbi.
São Paulo, sexta-feira (12) abriu-se uma cratera que tragou carros e caminhões que estavam estacionados na região de Pinheiros (Zona Oeste). E este é um “símbolo da metrópole que exalta o individualismo, pisoteia o bem comum e avança célere rumo à autodestruição”.
Minas geais, última quarta-feira um acidente provocou o vazamento de pelo menos 2 milhões de metros cúbicos de lama no córrego de Bom Jardim, que deságua no ribeirão Fubá, no município de Mirai, a 335 quilômetros de Belo Horizonte, na região da zona da mata em Minas. A lama invadiu as ruas de Mirai e de municípios vizinhos e paralisou as atividades na área atingida e ameaça ainda alguns municípios da região noroeste do Rio de Janeiro que ficaram sem água.
Por favor gritem aos ouvidos do Senhor Governador do estado de Minas Gerais, que já não são tão gerais assim, mais sim parciais, fragmentadas, nas mão de empresários irresponsáveis, ou responsáveis, por que se a tarefa era destruir, eles conseguiram.
Rio de janeiro, O governador do Rio, Sérgio Cabral, estará às 7 horas no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) da Polícia Militar, na Sulacap, onde estão alojados os integrantes da Força Nacional de Segurança. A tropa será apresentada formalmente ao governador. Os homens são comandados pelo coronel Aurélio Ferreira, da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, e usarão 52 viaturas para patrulhar 19 pontos de divisa do estado.
Ta tudo bem, irão falar que no Rio isso é normal.
E as Oligarquias ainda estão por ai meu amigo, se espreitam, rastejam, se escondem de você, não por medo, mas por covardia, atacam pelas costas. Então tenha os olhos bem abertos, duvide de tudo , até mesmo deste Blog.
Tuesday, January 16, 2007
Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não o tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada. Não tenho esperança nem saudades...que posso presumir da minha vida de amanhã, Senão que será o que não presumo, o que não quero, o que me acontece de fora, Até através da minha vontade...não quero mais da vida do que senti-la perder-se Nestas tardes imprevistas
Fernando Pessoa
Sem comentários...
Fernando Pessoa
Sem comentários...
Wednesday, January 10, 2007
Galinha não bota só ovo, gera energia também
Bancos lucram 40% mais que no ano passado
Matou passageiro que também não tinha um vintém
Desenvolvida nova variedade de arroz irrigado
Projeto Fome Zero está apagado, amarelado
Dólar cai, bolsa sobe: mercado vibra adoidado
Serra corta mal pela raíz: vai dar desconto no IPTU
Continua intacto glamour da Daslu
Lula confiante com resultados da economia
Querem colar Geraldo Alckimin no JK
Cientistas vão criar gato que não mia
Empresas buscam a igualdade entre os sexos
57% dos lares em SP são sustentados por mulheres
Funcionária dos Correios nos EUA age sem nexo
(mata 6 e se suicida)
Portugueses vão investir na linda praia de Porto de Galinhas
Italiano é preso em Fortaleza por gerenciar prostituição infantil
Morre em Canapé o ídolo do Vasco de Sergipe, o Bill
Poluição em São Paulo provoca asia
Augusto dos Anjos bate recorde em vendagem de poesia
(mesmo morto)
Morre James Brown
80% da população carcerária nos EUA é negra
Davos debate a riqueza
Quem passou aqui primeiro, no Pará, foram os vikings
Mulher que tentou afogar filha na Lagoa da Pampulha é presa
Mesmo endividado, Corinthians compra jóia para Teixeira
A humanidade continua sendo, ainda, rebanho sem beira nem eira.
Bancos lucram 40% mais que no ano passado
Matou passageiro que também não tinha um vintém
Desenvolvida nova variedade de arroz irrigado
Projeto Fome Zero está apagado, amarelado
Dólar cai, bolsa sobe: mercado vibra adoidado
Serra corta mal pela raíz: vai dar desconto no IPTU
Continua intacto glamour da Daslu
Lula confiante com resultados da economia
Querem colar Geraldo Alckimin no JK
Cientistas vão criar gato que não mia
Empresas buscam a igualdade entre os sexos
57% dos lares em SP são sustentados por mulheres
Funcionária dos Correios nos EUA age sem nexo
(mata 6 e se suicida)
Portugueses vão investir na linda praia de Porto de Galinhas
Italiano é preso em Fortaleza por gerenciar prostituição infantil
Morre em Canapé o ídolo do Vasco de Sergipe, o Bill
Poluição em São Paulo provoca asia
Augusto dos Anjos bate recorde em vendagem de poesia
(mesmo morto)
Morre James Brown
80% da população carcerária nos EUA é negra
Davos debate a riqueza
Quem passou aqui primeiro, no Pará, foram os vikings
Mulher que tentou afogar filha na Lagoa da Pampulha é presa
Mesmo endividado, Corinthians compra jóia para Teixeira
A humanidade continua sendo, ainda, rebanho sem beira nem eira.
Tuesday, January 09, 2007
Wednesday, January 03, 2007
Que burrice a minha.
E eu que pensei em Fernando Pessoa como o surpreendentemente nilista, vendo melhor de cima observo que não passa de um pedaço de coração fundindo na caldeira do sonho.
E constantemente ele faz isso comigo. Você sabe aquela fase hedonista do maldito poeta, é ali que eu caio na conversa do canalha.
Por isso que adoro Álvaro de Campos e as angustias e contradições do homem moderno.
Viva o Livro do Desassossego!!
E eu que pensei em Fernando Pessoa como o surpreendentemente nilista, vendo melhor de cima observo que não passa de um pedaço de coração fundindo na caldeira do sonho.
E constantemente ele faz isso comigo. Você sabe aquela fase hedonista do maldito poeta, é ali que eu caio na conversa do canalha.
Por isso que adoro Álvaro de Campos e as angustias e contradições do homem moderno.
Viva o Livro do Desassossego!!
Monday, January 01, 2007
Feliz Ano Novo
Você para.
espera, fica a frente do aparelho.
Com maestria e paciência aguarda
Acomoda o coração, como em um colchão macio.
Evitar o susto é fundamental
Põe uma musica ao fundo
Ela te distrai
Pouco dura
A impaciência é feito faca, te fura
Decide tomar um banho
Deixa a toalha preparada
É preciso ser rápido
Volta, é dada a hora
Acha melhor relaxar
e esquecer tudo
Pega a garrafa de vinho
coloca um filme
pensa em dormir, quando necessário for.
pois feliz ano novo...
Você para.
espera, fica a frente do aparelho.
Com maestria e paciência aguarda
Acomoda o coração, como em um colchão macio.
Evitar o susto é fundamental
Põe uma musica ao fundo
Ela te distrai
Pouco dura
A impaciência é feito faca, te fura
Decide tomar um banho
Deixa a toalha preparada
É preciso ser rápido
Volta, é dada a hora
Acha melhor relaxar
e esquecer tudo
Pega a garrafa de vinho
coloca um filme
pensa em dormir, quando necessário for.
pois feliz ano novo...
Confesso-lhes que me dá um nó nos poucos neurônios que me resta, quando tento entender disparidade existente no ensino público no Brasil. Deixe-me explicar direito.
Faço parte de uma parcela jovial da sociedade brasileira que “sonha” em estudar em uma universidade pública, e essa parcela se afunila mais ainda quando se trata de alunos da rede pública.
Não sei por que cargas d’água essa peregrinação rumo a “Universidade Perdida” se contrasta com o repúdio em relação a escola pública. De fato o ensino fundamental, médio e básico hoje, se mantém em nível pífio, onde a camada mais pobre ou menos favorecida compõe esse fatídico quadro.
De outro lado, representando a burguesia nacional, universidades, vistas hoje como ponta de lança do “Intelectos Brasilienses”, que no requisito evolução é disputada com unhas e dentes por alunos do país inteiro.
Está ai o “X” da questão, de um lado o básico, fundamental e médio aos trancos, enquanto o superior se mantêm como a menina dos olhos para o país.
Como de costume, historiadores, cientistas sociais, pseudopolíticos e intelectuais afins, explicariam com teses fundamentadas em estudos empíricos, pesquisas de campo e historiografando o conjunto dos fatos.
No entanto, é sabido que tentar localizar aonde foi o capital erro da catastrófica situação do ensino, é como diria meu pai é “Bater em ferro frio, correr na subida ou chover no molhado”. Muito embora deixar de discutir esse ultimo não persiste como erro menor.
Então se for para condenar que sejamos justos. Floriano Peixoto, Rui Barbosa, Dutra, Getúlio Vargas, Médici, Geisel, JK, os Fernandos e por ai afora, se sintam culpados.
Mas enquanto uma reforma de verdade não acontece, me resta sair em busca da terra prometida.
Voltamos ao “Maná”.
Faço parte de uma parcela jovial da sociedade brasileira que “sonha” em estudar em uma universidade pública, e essa parcela se afunila mais ainda quando se trata de alunos da rede pública.
Não sei por que cargas d’água essa peregrinação rumo a “Universidade Perdida” se contrasta com o repúdio em relação a escola pública. De fato o ensino fundamental, médio e básico hoje, se mantém em nível pífio, onde a camada mais pobre ou menos favorecida compõe esse fatídico quadro.
De outro lado, representando a burguesia nacional, universidades, vistas hoje como ponta de lança do “Intelectos Brasilienses”, que no requisito evolução é disputada com unhas e dentes por alunos do país inteiro.
Está ai o “X” da questão, de um lado o básico, fundamental e médio aos trancos, enquanto o superior se mantêm como a menina dos olhos para o país.
Como de costume, historiadores, cientistas sociais, pseudopolíticos e intelectuais afins, explicariam com teses fundamentadas em estudos empíricos, pesquisas de campo e historiografando o conjunto dos fatos.
No entanto, é sabido que tentar localizar aonde foi o capital erro da catastrófica situação do ensino, é como diria meu pai é “Bater em ferro frio, correr na subida ou chover no molhado”. Muito embora deixar de discutir esse ultimo não persiste como erro menor.
Então se for para condenar que sejamos justos. Floriano Peixoto, Rui Barbosa, Dutra, Getúlio Vargas, Médici, Geisel, JK, os Fernandos e por ai afora, se sintam culpados.
Mas enquanto uma reforma de verdade não acontece, me resta sair em busca da terra prometida.
Voltamos ao “Maná”.
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