uma
suma
sumauma
sumaumauma
suma uma a uma
umauma
suma
uma
Tuesday, May 25, 2010
Wednesday, March 24, 2010
O Grande brinde
Os três convivas já estavam em seus respectivos lugares, uma mesa farta, com copos e bebida. Palravam sobre todos os assuntos possíveis, assuntados, há tempos que não se viam, e era uma mistura de nostalgia e felicidade, brincavam uns com os outros, provocavam-se mutuamente numa espécie de ritual tribal, nada se falava, nada se entendia tamanho o enervamento de seus ânimos, e para tal situação, aquela que antecede o jantar num sábado a noite, um grande brinde. Foi quando Pedrinho, Felipe e Carlos levantaram seus copos de plástico cor azul bem alto e com descomunal força brindaram. E foi coca-cola pra tudo quanto era lado, até os pedaços de pizzas ali da mesa ficaram condenados.
E lá foi a mãe limpar e colocar outros pedaços de pizza novamente.
Os três convivas já estavam em seus respectivos lugares, uma mesa farta, com copos e bebida. Palravam sobre todos os assuntos possíveis, assuntados, há tempos que não se viam, e era uma mistura de nostalgia e felicidade, brincavam uns com os outros, provocavam-se mutuamente numa espécie de ritual tribal, nada se falava, nada se entendia tamanho o enervamento de seus ânimos, e para tal situação, aquela que antecede o jantar num sábado a noite, um grande brinde. Foi quando Pedrinho, Felipe e Carlos levantaram seus copos de plástico cor azul bem alto e com descomunal força brindaram. E foi coca-cola pra tudo quanto era lado, até os pedaços de pizzas ali da mesa ficaram condenados.
E lá foi a mãe limpar e colocar outros pedaços de pizza novamente.
Monday, February 01, 2010
Hoje antecipando o amanhã coloco algo sobre o dia 2 de fevereiro, um dia genuinamente brasileiro que identificado maestralmente pelo mestre Darcy Ribeiro:
"O fundamental, porém, é que milagrosamente o povo, sobretudo o negro-massa, continua tendo erupções de criatividade. Esse é o caso do culto a Iemanjá, que em poucos anos transformou-se completamente. Essa entidade negra que se cultuava a 2 de fevereiro na Bahia, foi arrastada pelos negros do Rio de Janeiro para 31 de dezembro. Com isso aposentamos o velho e ridículo Papai Noel, barbado, comendo frutas européias secas, arrastado num carro puxado por veados. Em seu lugar, surge, depois da Grécia, a primeira santa que fode. A Iemanjá não se vai pedir a cura do câncer ou da AIDS, pede-se um amante carinhoso e que o marido não bata tanto".
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro. São Paulo,Companhia das Letras,1998
"O fundamental, porém, é que milagrosamente o povo, sobretudo o negro-massa, continua tendo erupções de criatividade. Esse é o caso do culto a Iemanjá, que em poucos anos transformou-se completamente. Essa entidade negra que se cultuava a 2 de fevereiro na Bahia, foi arrastada pelos negros do Rio de Janeiro para 31 de dezembro. Com isso aposentamos o velho e ridículo Papai Noel, barbado, comendo frutas européias secas, arrastado num carro puxado por veados. Em seu lugar, surge, depois da Grécia, a primeira santa que fode. A Iemanjá não se vai pedir a cura do câncer ou da AIDS, pede-se um amante carinhoso e que o marido não bata tanto".
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro. São Paulo,Companhia das Letras,1998
Friday, January 29, 2010
Figurinha difícil
De Plínio Marcos:
Um dia eu estava em casa na maior das folgas, quando o Léo e o Kiko
chegaram da escola (a Aninha Festa ainda era nenê) afobados, gritando:
- Pai! Pai! O Zezinho tirou você na coleção Brasil Novo.
- Você é a trezentos e doze.
Trezentos e doze no jogo do bicho é burro. Na coleção Brasil Novo era eu.
Nem me toquei. Fiquei pasmo. Boquiaberto. Quando consegui falar, perguntei:
-Eu sou carimbado?
Não era. Não tem mais esse negócio de figurinha carimbada. Não é mais como antigamente, quando as figurinhas vinham embrulhadas em balas. Agora elas vêm num cartuchinho. Mas fiquei imaginando que eu podia ser uma figurinha difícil. Se eu for figurinha difícil, pensei, o moleque sabido tira um Plínio Marcos, chega no mais trouxinha e vai se apresentando:
- Deixa eu fazer malcriação em você? Eu te dou a trezentos e doze, o tal de
Plínio Marcos.
O cara tira uma trezentos e doze, imaginei ainda, e chega um colecionador
nele:
- Quer trocar? Te dou uma Transamazônica, um ditador sem pescoço, um
ditador de óculos, um ditador de cacete na mão, um ditador a cavalo, te dou
uma ponte Rio-Niterói e tu dá o Plínio Marcos. A trezentos e doze.
E o outro responde:
- Aqui, ói! Plínio Marcos é difícil.
Com essas idéias na cabeça, fui pra rua. Queria comprar minha figurinha.
Comprei duzentos cartuchinhos. Nenhum Plínio Marcos.
Fui pro centro da cidade. Logo um sujeito falou:
- Meu filho tirou você...
E outro
- É figurinha? Parabéns...
E ainda outro:
- Ta legal de figurinha.
E mais outro:
- Meu neto tirou...
E outro. E outro. E outro. Comecei a achar que tinha muita gente com figurinha de Plínio Marcos. Até que um amigo me deu uma trezentos e doze. Um legítimo
Plínio Marcos. Saí legal. Loirinho. Mostrei pra minha mãe. Ela estrilou.
- Veja lá. Artista, não gosto muito. Se vier loiro, não entra em casa.
Deixei pra lá. Mãe é mãe. O que me encabulou é que eu saí meio com cara de bunda. É, com cara de bunda. Não tem gente com cara de bunda? Tem gente com cara de coelho, cara de macaco, cara de cavalo. Não tem? Eu mesmo conheci um cara de bunda. Mas o que eu conheci era um bundão. Puta bundão. Ele passava cada vergonha por causa da cara de bunda que Deus lhe deu... Um dia ele, o cara de bunda, estava parado na porta de um teatro, quando chegaram duas mulheres, dessas bem xeretas.
Em todo lugar tem mulher abelhuda. Hoje mesmo deparei com uma. Ela me
olhou e foi logo me enchendo o saco.
- Nossa, como você está gordo!
Nunca tinha me visto na puta da vida dela. Mas nem por isso se acanhou.
Insistiu.
- Ta gordo mesmo. Um porco. Você sabe que ta gordo?
- Sei – respondi resignado. Mas ela continuou.
- Sabe nada. Sabe mesmo?
- Sei.
Gorda mesmo é uma amiga minha. Ela se casou. É, a gorda se casou e foi pra lua-de-mel. Sabe como é, primeira vez... inauguração... as pessoas ficam nervosas. O noivo da gorda mandou ver.
- Aí não, bem. Aí é a dobra.
Ele pôs pro lado. E a gorda:
- É dobra.
Os dois foram ficando nervosos. Ele tentava e ela reclamava:
- É dobra. É dobra. É dobra.
Aí o noivo implorou:
- Vamos, bem, dá uma mijadinha pra eu ter uma pista.
Mas, deixa isso de lado. Eu estava falando é da história do cara de bunda. Pois é, o carão de bunda. Estava com sua cara de bunda na porta do teatro, quando as duas xeretas flagraram ele. A primeira que viu cochichou pra outra.
- Não olhe agora. Mas ali está o maior cara de bunda que eu vi na vida.
- Onde?
- Ali. Mas não olhe assim, que ele está olhando.
- Mas onde ele está?
- Ali. Ali. Ali.
- Não aponta. Já vi. Meu Deus, meu Deus, ele não é o cara de bunda. È a própria bunda que vestiu a calça errada. A bunda ficou pra cima.
- Não, não. É a cara dele mesmo que é de bunda.
- Não é a cara. É a bunda.
- É a cara.
- É a bunda.
- Não teima. É a cara.
- Não, não! Tenho certeza, é a bunda.
- Olhe bem, repare. Se fosse a bunda, a boca estava em pé. Como é cara de
bunda, a boca está deitada.
-É mesmo, você repara em tudo. Mas tem uma coisa: ele não pode fumar charuto. Se mete um charuto na boca... bom , se põe um charuto na boca, ninguém vai saber se está entrando ou saindo.
- Será que ele sabe?
- Que tem cara de bunda? Alguém já deve ter falado.
- Que nada! As pessoas, sabe como é, são hipócritas. Ninguém fala.
- Isso é.
- Vamos perguntar.
- Eu tenho vergonha. Pergunta você.
As duas deram o braço e foram até o cara de bunda.
- Meu senhor, ainda que mal pergunte... o senhor sabe que tem cara de bunda?
E o cara de bunda:
- Quem? Eu? ... Pruprupru... (barulho de peido)...(a crônica continua)
Procure em:
MARCOS, P. Figurinha difícil: pornografando e subvertendo. São Paulo: Editora
SENAC, 1996.
De Plínio Marcos:
Um dia eu estava em casa na maior das folgas, quando o Léo e o Kiko
chegaram da escola (a Aninha Festa ainda era nenê) afobados, gritando:
- Pai! Pai! O Zezinho tirou você na coleção Brasil Novo.
- Você é a trezentos e doze.
Trezentos e doze no jogo do bicho é burro. Na coleção Brasil Novo era eu.
Nem me toquei. Fiquei pasmo. Boquiaberto. Quando consegui falar, perguntei:
-Eu sou carimbado?
Não era. Não tem mais esse negócio de figurinha carimbada. Não é mais como antigamente, quando as figurinhas vinham embrulhadas em balas. Agora elas vêm num cartuchinho. Mas fiquei imaginando que eu podia ser uma figurinha difícil. Se eu for figurinha difícil, pensei, o moleque sabido tira um Plínio Marcos, chega no mais trouxinha e vai se apresentando:
- Deixa eu fazer malcriação em você? Eu te dou a trezentos e doze, o tal de
Plínio Marcos.
O cara tira uma trezentos e doze, imaginei ainda, e chega um colecionador
nele:
- Quer trocar? Te dou uma Transamazônica, um ditador sem pescoço, um
ditador de óculos, um ditador de cacete na mão, um ditador a cavalo, te dou
uma ponte Rio-Niterói e tu dá o Plínio Marcos. A trezentos e doze.
E o outro responde:
- Aqui, ói! Plínio Marcos é difícil.
Com essas idéias na cabeça, fui pra rua. Queria comprar minha figurinha.
Comprei duzentos cartuchinhos. Nenhum Plínio Marcos.
Fui pro centro da cidade. Logo um sujeito falou:
- Meu filho tirou você...
E outro
- É figurinha? Parabéns...
E ainda outro:
- Ta legal de figurinha.
E mais outro:
- Meu neto tirou...
E outro. E outro. E outro. Comecei a achar que tinha muita gente com figurinha de Plínio Marcos. Até que um amigo me deu uma trezentos e doze. Um legítimo
Plínio Marcos. Saí legal. Loirinho. Mostrei pra minha mãe. Ela estrilou.
- Veja lá. Artista, não gosto muito. Se vier loiro, não entra em casa.
Deixei pra lá. Mãe é mãe. O que me encabulou é que eu saí meio com cara de bunda. É, com cara de bunda. Não tem gente com cara de bunda? Tem gente com cara de coelho, cara de macaco, cara de cavalo. Não tem? Eu mesmo conheci um cara de bunda. Mas o que eu conheci era um bundão. Puta bundão. Ele passava cada vergonha por causa da cara de bunda que Deus lhe deu... Um dia ele, o cara de bunda, estava parado na porta de um teatro, quando chegaram duas mulheres, dessas bem xeretas.
Em todo lugar tem mulher abelhuda. Hoje mesmo deparei com uma. Ela me
olhou e foi logo me enchendo o saco.
- Nossa, como você está gordo!
Nunca tinha me visto na puta da vida dela. Mas nem por isso se acanhou.
Insistiu.
- Ta gordo mesmo. Um porco. Você sabe que ta gordo?
- Sei – respondi resignado. Mas ela continuou.
- Sabe nada. Sabe mesmo?
- Sei.
Gorda mesmo é uma amiga minha. Ela se casou. É, a gorda se casou e foi pra lua-de-mel. Sabe como é, primeira vez... inauguração... as pessoas ficam nervosas. O noivo da gorda mandou ver.
- Aí não, bem. Aí é a dobra.
Ele pôs pro lado. E a gorda:
- É dobra.
Os dois foram ficando nervosos. Ele tentava e ela reclamava:
- É dobra. É dobra. É dobra.
Aí o noivo implorou:
- Vamos, bem, dá uma mijadinha pra eu ter uma pista.
Mas, deixa isso de lado. Eu estava falando é da história do cara de bunda. Pois é, o carão de bunda. Estava com sua cara de bunda na porta do teatro, quando as duas xeretas flagraram ele. A primeira que viu cochichou pra outra.
- Não olhe agora. Mas ali está o maior cara de bunda que eu vi na vida.
- Onde?
- Ali. Mas não olhe assim, que ele está olhando.
- Mas onde ele está?
- Ali. Ali. Ali.
- Não aponta. Já vi. Meu Deus, meu Deus, ele não é o cara de bunda. È a própria bunda que vestiu a calça errada. A bunda ficou pra cima.
- Não, não. É a cara dele mesmo que é de bunda.
- Não é a cara. É a bunda.
- É a cara.
- É a bunda.
- Não teima. É a cara.
- Não, não! Tenho certeza, é a bunda.
- Olhe bem, repare. Se fosse a bunda, a boca estava em pé. Como é cara de
bunda, a boca está deitada.
-É mesmo, você repara em tudo. Mas tem uma coisa: ele não pode fumar charuto. Se mete um charuto na boca... bom , se põe um charuto na boca, ninguém vai saber se está entrando ou saindo.
- Será que ele sabe?
- Que tem cara de bunda? Alguém já deve ter falado.
- Que nada! As pessoas, sabe como é, são hipócritas. Ninguém fala.
- Isso é.
- Vamos perguntar.
- Eu tenho vergonha. Pergunta você.
As duas deram o braço e foram até o cara de bunda.
- Meu senhor, ainda que mal pergunte... o senhor sabe que tem cara de bunda?
E o cara de bunda:
- Quem? Eu? ... Pruprupru... (barulho de peido)...(a crônica continua)
Procure em:
MARCOS, P. Figurinha difícil: pornografando e subvertendo. São Paulo: Editora
SENAC, 1996.
Wednesday, January 20, 2010
Coisa de criança parte 2
“Toda hora, toda hora...”
-Pedro levanta
-...
- Pedro eu disse pra levantar menino
- tsc, zzzzzzz
- Pedro, não-chamo-mais!
- zzzzzz
- Pedro vou chamar teu pai..
-!!! tô indo, to indo, saco
- Que você falou menino?
- Tsc, nada, nada
Pedro então levanta, todo enrolado na coberta, se joga no sofá e liga a tv.
- Menino vai escovar os dentes e lavar esse rosto
- Já vou..
- Pedro A-GO-RA!!
- Toda hora, toda hora, toda hora. Não posso fazer mais nada nessa casa, nem desenho animado eu posso mais.
- Aé Pedro? Que mais você não pode fazer “nessa casa”, que mais? Comer um pacote inteiro de bolacha recheada dez e meia da noite? Ficar acordado até de madrugada com seu pai assistindo futebol? Ou comer sobremesa antes do almoço? Ahhh já sei , acho que é você colocar o gato pra brigar com a cachorrinha da sua vó. Claro, coisa que toda criança normal pode fazer né PEDRO? Tenha dó viu...E vai escovar esses dentes e lavar esse rosto que seu pai não tem a vida toda pra te esperar não.
- Tá veno toda hora, toda hora, toda hora eu tenho que levantar escovar os dentes lavar o rosto e ir pra escola, toda hora, toda hora, toda hora.
“Toda hora, toda hora...”
-Pedro levanta
-...
- Pedro eu disse pra levantar menino
- tsc, zzzzzzz
- Pedro, não-chamo-mais!
- zzzzzz
- Pedro vou chamar teu pai..
-!!! tô indo, to indo, saco
- Que você falou menino?
- Tsc, nada, nada
Pedro então levanta, todo enrolado na coberta, se joga no sofá e liga a tv.
- Menino vai escovar os dentes e lavar esse rosto
- Já vou..
- Pedro A-GO-RA!!
- Toda hora, toda hora, toda hora. Não posso fazer mais nada nessa casa, nem desenho animado eu posso mais.
- Aé Pedro? Que mais você não pode fazer “nessa casa”, que mais? Comer um pacote inteiro de bolacha recheada dez e meia da noite? Ficar acordado até de madrugada com seu pai assistindo futebol? Ou comer sobremesa antes do almoço? Ahhh já sei , acho que é você colocar o gato pra brigar com a cachorrinha da sua vó. Claro, coisa que toda criança normal pode fazer né PEDRO? Tenha dó viu...E vai escovar esses dentes e lavar esse rosto que seu pai não tem a vida toda pra te esperar não.
- Tá veno toda hora, toda hora, toda hora eu tenho que levantar escovar os dentes lavar o rosto e ir pra escola, toda hora, toda hora, toda hora.
Friday, January 15, 2010
Subscribe to:
Posts (Atom)