Queria escrever sobre coisas tão importantes e lindas que nem sei como seriam. Buscar lá na memória coisas fora do absoluto e concreto.
Escrever sem sentido como agora, sem necessidade de escrever, desprendido de tudo que há, ser o maior prolixo que já existiu, falar e falar e falar compulsivamente, sem ninguém para me ouvir, só o silêncio, o branco, bem grande e onipresente.
Será eu e só.
Ficar distante o bastante de mim, me sobrevoar e lá de cima ver que sou um tanto volátil e ignaro, e ficar feliz por isso, verei quem realmente sou, tentar de alguma maneira melhorar, a auto-flagelação.
Ver a felicidade estampada perto das letras.
Na verdade, não há verdade e tudo é mentira, pura falsidade.
Morrer também seria bom, um final brilhante, dormir e “acordar morto” em um dia frio, se possível sábado.
Pouca gente no meu velório, só meu cachorro sarnento chamado “Assis”, uma velha vizinha Dona Esmeralda, o cara do aluguel (nem sei seu nome, mas o chamo de Sr. Furato, todos os chamam assim).
Algumas velas acesas, pouca luz, um cheiro insuportável de sessão da tarde. Ninguém chora no meu velório, também não conversam, só estão fazendo uma sala para o desconhecido.
E eu estou com um sorriso estampado, daqueles que minha mãe dizia ver nos velórios que ia.
E assim findava meu dia...
Mas só Assis me acompanhava até o túmulo, me cheirava e dava o ultimo latido.
Ta vendo consegui ser prolixo...rs
Thursday, July 26, 2007
Tuesday, July 24, 2007
Se eu tivesse, o que seria.
Seria mais vida
mais saltos
vôos tão longos
quanto a envergadura da asa
Mas de fato
Sou só um ato.
o primeiro e só
que o que pensa vira pó
Preciso de um gole de conhaque
E daquela lua lá atrás
Das minhas mentiras verdadeiras
Do sorriso amarelo
Do cheiro azedo da cinco horas
Da mão com calos
Da fumaça na cara
Dos joelhos cansados de andar
Da descida que não termina
Do gosto de ferrugem que a fome me trás
Dos olhos ardendo de frio
Do cabelo irritando na testa
Da cabeça girando
Dos reclames afins
Da má educação
Da vontade de chorar
Do telefone tocando
Do amigo distante
De me confessar
Calcular a altura do tombo
Cortar minhas unhas
Reler meus livros
Preciso parar um momento
E não há o que esconder...
Seria mais vida
mais saltos
vôos tão longos
quanto a envergadura da asa
Mas de fato
Sou só um ato.
o primeiro e só
que o que pensa vira pó
Preciso de um gole de conhaque
E daquela lua lá atrás
Das minhas mentiras verdadeiras
Do sorriso amarelo
Do cheiro azedo da cinco horas
Da mão com calos
Da fumaça na cara
Dos joelhos cansados de andar
Da descida que não termina
Do gosto de ferrugem que a fome me trás
Dos olhos ardendo de frio
Do cabelo irritando na testa
Da cabeça girando
Dos reclames afins
Da má educação
Da vontade de chorar
Do telefone tocando
Do amigo distante
De me confessar
Calcular a altura do tombo
Cortar minhas unhas
Reler meus livros
Preciso parar um momento
E não há o que esconder...
Tuesday, July 03, 2007
"Segunda feira"
Maldito violão imóvel
está há horas me olhando
Feito sorriso agreste
quase cáustico
Maldito violão imóvel
Eu sei o que tú queres
queres vomitar acordes dissonântes
Queres rir de mim,
e ri de mim.
como quem não tem pena
nem perdão
Me machuca a alma
saber da tua "Humanidade"
sincrônico, voraz
Maldito violão imóvel
Maldito violão imóvel
está há horas me olhando
Feito sorriso agreste
quase cáustico
Maldito violão imóvel
Eu sei o que tú queres
queres vomitar acordes dissonântes
Queres rir de mim,
e ri de mim.
como quem não tem pena
nem perdão
Me machuca a alma
saber da tua "Humanidade"
sincrônico, voraz
Maldito violão imóvel
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