Sunday, August 19, 2007

Não sou artista, e nem almejo ser um, mas tenho esse blog e alguns rascunhos de gaveta, e quando se acostuma a rabiscar esses nonadas da vida, quando se perde a indigna inspiração-se é que ela existe-me sinto meio perdido, como diria meu pai um "martelo sem cabo", mas me senti mais aliviado quando li isso aqui.




O martírio do artista.
Arte ingrata! E conquanto, em desalento,
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,
Busca exteriorizar o pensamento
Que em suas fronetais células guarda!

Tarda-lhe a Idéia! A inspiração lhe tarda!
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento,
Como o soldado que rasgou a farda
No desespero do último momento!

Tenta chorar e os olhos sente enxutos!...
E como o paralítico que, á mingua
Da própria voz e na que ardente o lavra

Febre de em vão falar, com os dedos brutos
Para falar, puxa e repuxa a língua,
E não lhe vem á boca uma palavra!
Augusto dos Anjos (Eu)

Sunday, August 12, 2007

Logo que me deito, assim bem tarde, meu semblante vai no contra-fluxo do corpo.
Nessa hora que vejo no teto estrelas atravessarem com feixes de luzes desenhando no cobertor rostos que não vi, e rostos que ainda verei.

Minha avó, meu avô, tios e tias que se foram antes do combinado, todos eles com imagem de bonachões que só as pessoas de boa fé podem ter.
Figuram-me também minha filha, netos, meus esses e de meus amigos, um futuro bonito, sincero de se ver e sonhar.

É quando sem forças mais, desabo em mim e apago as luzes do transpasse das estrelas em um só piscar d’olhos.


E que os anjos digam Amém!

Wednesday, August 01, 2007

Hoje acordei com um refrão de um RAP na cabeça, levantei, sai de mãos dadas comigo, e vi que só me restavam dez minutos para me arrumar em direção a mais um dia de “Lida” (todos os dias é assim, em dez minutos me apronto).

Mas enquanto escovava os dentes, me veio à cabeça uma outra coisa, ou melhor uma cena, a do curta metragem chamado “Nada declarar”, é o retrato da elite brasileira através de um artista em estado crítico, um diretor de cinema concede uma entrevista - enquanto degusta vinhos e tira-gostos. Durante a entrevista, critica os recentes rumos tomados pelo meio artístico brasileiro. Porém, o que acontece na tela é tão revelador sobre essa realidade quanto seu discurso. O filme tem um tom provocador e debochado fala também sobre impressões urbanas e humanas que marcam profundamente um povo e suas mazelas sociais.

E como um autêntico burguês ele não tinha “nada a declarar”o personagem vivido pelo ator Bruce gomlevsky, onde dizia e “desdizia” aleatoriamente. No entanto diferente do que se vê, ele não se perfazia nas questões, discorria apenas do que vivenciava, e isso é sem dúvidas seria um marco na história, um burguês não hipócrita!!!

Agora por que estou falando isso? Sei lá, talvez porque tenho um pouco dele, ou melhor todos nós somos ou pelo menos seremos assim um dia, eqüidistantes do real, voláteis ao imaginário que dificilmente gostaríamos que voltasse.

Aé, o refrão era do Raper Sabotage e dizia assim:



Musica “O invasor”


{Refrão}
Não sei que mata mais
A FOME O FUZIL OU O EBOLA??
Quem sofre mais os presos daqui ou de angola??
O que nos resta é espalhar que deus existe agora é a hora
Por que a paz plantada aqui irá dar flor lá fora.


É isso...mais nada a declarar.