E meu doce de Amendoim?
A tensão era geral naquele setembro de 1992, diferente da ditadura que atingiu um pessoal mais politizado e agregado de noções libertárias, o plano Collor deu uma rasteira em todos no país.
Se o mesmo governo que aumentou e delimitou as disparidades sociais, dividindo assim apenas entre os ricos e os pobres, eliminando a classe média, ajudando à concentrar ainda mais a renda já existente, deixou burguesia proletária e especulativa que vinha lucrando absurdamente com os adventos da entrada de capital estrangeiro no pais, como a classe pobre que sustentava a máquina liberal.
Fernando Collor foi o primeiro presidente a ser eleito pelas vias diretas após a ditadura militar, é sabido que por uma eleição enganosa e maniqueísta arraigada de interesses por todos os lados.
Hoje vejo na internet a seguinte nota na internet:
“Fernando Collor teria cogitado o suicídio após o impeachment”
Daí pensei, teria tentado suicido? Pra mim nascido em 1982 que na época tinha meus 10 anos de idade não entendia muito bem a situação, mas era evidente que algo tinha mudado naquele momento.
Meu pai vivia silencioso quando retornava do trabalho -se é que na época estava efetivamente trabalhando ou apenas fazendo “bicos por ai.
Minha mãe no final do mês não me dava aquele doce de amendoim tão esperado, e eu já não comprava mais as figurinhas da “Caverna do Dragão.
Hoje mais sensato da real situação que ocorreu, vejo que centenas de pais de famílias sim se suicidaram, tomados pelo desespero moral de não poder dar às suas famílias o mínimo possível para sobrevivência.
Empresas quebraram, tivemos uns dos maiores índices de desemprego de todos os tempo.
Mas andei vasculhando na internet e vi alguns artigos que refutam a versão contada pela comunidade midiática sobre a derrubada do ex-Presidente Collor. A meu ver, deu-se principalmente pela possível retirada das verbas publicitárias da Globo pela União, em favor da CNT do ex-senador José Carlos Martinez. Segundo relatos, era intenção de Collor e Martinez, fundar uma mega rede de televisão em todo o País, e isto seria a quebra total da Globo. Roberto Marinho jamais permitiria e ágil rápido.É como diz o ditado: " A criatura se volta contra o criador".
E ele diz que pensou em suicídio...
Sunday, September 30, 2007
Sunday, September 16, 2007
Assisti a menos de duas semanas o filme “Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global visto do lado de cá”.
Tive o prazer de assistir-lo no Cine Bombril na avenida paulista, lugar de gente chique, despojada e cult. Fiquei observando toda aquela gente por algum tempo lembrei da letra de Jorge que diz:
“Aqui onde estão os homens/De um lado a cana de açúcar/Do outro lado o cafezal/Ao centro senhores sentados/Vendo a colheita do algodão tão branco/Sendo colhidos por mãos negras”,
Mais de fato aqui as mãos não se resumem ás negras, e ao centro estão os “Jatomóveis” que desfilam suave, sem olhar para os lados recheados de ar condicionado e luxúria.
Sem dúvida o contra-senso falou mais alto, o filme é uma ruptura, é sagaz, cáustico, é dedo-na-ferida-sem dó, é um sinta-se-avontade-para-chorar, e a maioria que ali se encontrava fazia parte da classe média alta, e eu me perguntava o que eles fazem a cá?
Duas semanas depois achei uma pseudo-resposta, li um artigo na internet falando sobre a inauguração do “Museu da Pobreza” ma Dinamarca mais precisamente em “Copenhague” no dia 24. Finalidade do museu? "para que os jovens possam conhecer como era a pobreza quando ela existia” dizem as autoridades. A Dinamarca considera erradicada a pobreza absoluta e de fato deve ter sido mesmo, já que os desempregados recebem salários para se manterem com valores quase de um empregado normal.
No Brasil não é tão diferente, existem aqueles que nunca viram um pobre de perto, não sentiu o cheiro de pobre, encostou em um pobre e por fim ajudou um pobrea carregar uma sacola, e digo aqui "pobre" não o pobre teatral das ruas de São Paulo que pede esmola na Augusta, em frente o “BankBoston”, no “Mac Donalds” do Campo Belo, mas o pobre que trabalha, pega o trem da linha F, dos catadores de papel, dos trabalhadores soturnos, da galera que faz aqui a parada acontecer de verdade.
E é por isso que eles estavam lá, estavam para saber um pouquinho mais sobre a nossa pobreza, sobre o que é ser pobre na America Latina e no Mundo, mesmo que seja apenas pela sétima arte.
Obs. Nosso Presidente esteve na Dinamarca no dia 14.
Tive o prazer de assistir-lo no Cine Bombril na avenida paulista, lugar de gente chique, despojada e cult. Fiquei observando toda aquela gente por algum tempo lembrei da letra de Jorge que diz:
“Aqui onde estão os homens/De um lado a cana de açúcar/Do outro lado o cafezal/Ao centro senhores sentados/Vendo a colheita do algodão tão branco/Sendo colhidos por mãos negras”,
Mais de fato aqui as mãos não se resumem ás negras, e ao centro estão os “Jatomóveis” que desfilam suave, sem olhar para os lados recheados de ar condicionado e luxúria.
Sem dúvida o contra-senso falou mais alto, o filme é uma ruptura, é sagaz, cáustico, é dedo-na-ferida-sem dó, é um sinta-se-avontade-para-chorar, e a maioria que ali se encontrava fazia parte da classe média alta, e eu me perguntava o que eles fazem a cá?
Duas semanas depois achei uma pseudo-resposta, li um artigo na internet falando sobre a inauguração do “Museu da Pobreza” ma Dinamarca mais precisamente em “Copenhague” no dia 24. Finalidade do museu? "para que os jovens possam conhecer como era a pobreza quando ela existia” dizem as autoridades. A Dinamarca considera erradicada a pobreza absoluta e de fato deve ter sido mesmo, já que os desempregados recebem salários para se manterem com valores quase de um empregado normal.
No Brasil não é tão diferente, existem aqueles que nunca viram um pobre de perto, não sentiu o cheiro de pobre, encostou em um pobre e por fim ajudou um pobrea carregar uma sacola, e digo aqui "pobre" não o pobre teatral das ruas de São Paulo que pede esmola na Augusta, em frente o “BankBoston”, no “Mac Donalds” do Campo Belo, mas o pobre que trabalha, pega o trem da linha F, dos catadores de papel, dos trabalhadores soturnos, da galera que faz aqui a parada acontecer de verdade.
E é por isso que eles estavam lá, estavam para saber um pouquinho mais sobre a nossa pobreza, sobre o que é ser pobre na America Latina e no Mundo, mesmo que seja apenas pela sétima arte.
Obs. Nosso Presidente esteve na Dinamarca no dia 14.
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