Causo
Sabe, não é assim, é que causo é causo e nada mais, causo não é história nem piada é só causo. Causo acontece com um fulano é contado aqui, e dali a pouco percorre o mundo inteiro. Você conta sem a intenção de virar causo, conta por contar, o camarada acha bacana a historieta e resolve difundir fazer uma propagandinha.
Existem aqueles – quase na sua maioria - que se apropria do causo, fala que foi ele, ou mesmo um parente, primo, cunhado, vizinho... mentira, mesmo por que não existe causo na gênese efetivamente vivido. Causo quase sempre é aumentado pelo seu atual contador, você ouve o causo aqui
Tem causo engraçado, causo dramático, causo suspense e até causo romântico.
Eles surgem nos mais variados lugares, no banquinho da praça, no barbeiro, no boteco, na “mercearia” – diga-se de passagem, quase extinta hoje em dia – na pelada do final de semana, enfim qualquer lugar que tiver um caipira, um peão, um velhinho, um malandro a toa um conversador, lá tem um causo sendo contado (agora mesmo deve ter alguém contando um).
O fato é quem vai contar um causo agora sou eu, é bem pequenininho assim, mais é um causo interessante.
Lá pelas bandas de Minas Gerais, pra aqueles lados bem distante de tudo nesse mundão a fora havia um casal lindo e feliz, um casal de namorados - quase noivos - Ritinha e Frederico, Ritinha moça trabalhadera ajudava a mãe nos afazeres do sitio. Sítio que o pai herdara do avô de Ritinha, sitio esse nem pequeno nem grande, nem farto mais que também não deixava fartar nada naquela mesa. Enquanto Frederico também, não menos trabalhador lidava com esses negócios de gado na fazenda de seu Firmino, desde muito pequeno depois que o pai faleceu, teve que se virar para ajudar a mãe já muito doente com três irmãos pequenos em casa.
Mais o causo é que Ritinha e Frederico se amavam muito e já iam esses dois para o quinto ano de namoro e Frederico anunciara o noivado para todo o povo e à família da moça há umas duas semanas atrás, ou seja, já não eram mais namorados e sim noivos - que é um passo importante para o casório -. E casamento no interior é coisa séria, interior é lugar de gente Católica Apostólica Romana praticante e séria, isso mesmo, séria, e na casa de Ritinha não havia de ser diferente, tanto dona Zéfa quanto Ritinha e seu Pedro pai de Ritinha – os três devotos de Santa Rita de Cássia – freqüentavam a igreja regularmente como dita as premissas eclesiásticas.
Mais voltando ao casal, Frederico, o futuro esposo de ritinha, sentia-se meio fastigado dessa vida um tanto quanto sem sal do casal, porque convenhamos não é fácil resistir aos declínios do pecado, e cinco anos só de mãos dadas e uns beijinhos mirrados às escondidas é só para quem tem sangue frio de verdade. Pois bem, num belo dia chega a fazenda de seu Firmino, uma égua muito da bonita, égua de “Raça” égua reprodutora de alto estirpe, daquelas Lusitanas de sangue puro, uma belezura que só –de pouca importância no causo - e Frederico por essa época fica encarregado de cuidar da égua, já que Frederico sendo o funcionário velho da fazenda, sabia como ninguém quais os cuidados que uma égua daquelas deveria ter.
Frederico se encontrava com Ritinha cerimoniamente quatro vezes na semana, a distância e os afazeres dos dois impediam tal regalia de encontros excedesse essa quantia, pois bem, dias como terça, quinta, sábado e no domingo era só “dengo” para cá “te amo” para lá, como qualquer casal normal apaixonado faz. Mais acontece é que Frederico “andava meio desligado” do mundo com essa coisa de namoro, não sei por que cargas d’gua Frederico depois de muita conversa convence Ritinha de que a fazenda estava passando por reformas e que teria que pular a quinta dos dias de encontro. Revoltada Ritinha faz um escândalo mais aceita, não de bom grado e com cara de poucos amigos que “Ta tudo bem, mais tóme tento Fredi, é só até essa tar reforma acabar”. E essa era a condição, condição essa mais do que válida.
Passado alguns meses e nada dessa reforma acabar,e Ritinha começa a se enraivecer com a história, mais se contém por que ama o rapaz e também é que ela pressente – apesar dos acontecimento – que o casório vem e vem em breve.
Problema é que Frederico como se não bastasse o pular da quinta, quando vai ao encontro da amada, vai, mais vai meio anuviado dos pensamento, divaga demais enquanto ta lá a moça toda fazendo planos para o futuro dos dois. Olha que não demora para a moça se enervar com o rapaz, e brigas se tornam freqüentes na vida do casal, e olha a mãe da moça apartando daqui e pai do rapaz conversando com ele para tentar reverter o placar.
E Frederico sempre quando no entardecer do dia já anuncia a sua ida para a casa e diz “Ritinha tenho que ir, tenho afazeres na fazenda”, e lá vem a brigaiada, virou um pé de guerra dos infernos, mais a menina é forte e faz promessa para Santa Rita de Cássia para esse casório sair.
Quem conhece e já morou, ou mesmo passou algum tempinho nos interiores desse mundo sabe que uma coisa que tem quase como mato por esses lados é fofoca, e essas sobre Frederico e Ritinha começa a rolar pelo armazém, boteco, campo de futebol, bocha, tudo que é canto que se ia, era só olhar de lado e lá estavam Ritinha e Frederico na boca do povo. Mais muito sábia das coisas da vida dona Zéfa e aconselhou os dois para relevarem as fofocaida do povo e se entenderem como nos velhos tempos. E não é que deu certo, tudo tinha voltado nos eixos novamente – tudo não, ainda sem a quinta e Frederico ainda saindo mais cedo para cuidar da reforma da fazenda de Seu Firmino -.
Pois o meio de ano já se passara e nada de muito interessante por aquelas bandas acontecia. Foi quando em um dia iluminado Frederico – olha que foi em uma quinta feira – aparece na casa da moça e de supetão pede a mão de Ritinha em casamento – para a sua máxima felicidade -. Agora de fato Ritinha conquistaria aquilo que mais sonhara em sua vida, casar.
No intermédio desses meses que antecediam o casamento - pois não disse aqui mais o bendito foi marcado para dia 12/12 - ou seja, bem uns quatro meses para aprontar tudo para o festão, porque Ritinha não se contentaria com uma casóriosinho assim, não era da sua estirpe cafés-pequeno, e para aproveitar a moça ia calar a boa do povo todinho com o baita festão que ia rolar.
E preparativo não faltaram para a festa, e os convivas eram muitos, então Ritinha, Seu Firmino, Frederico e dona Zéfa lá estavam todos os dias até as tantas planejando, e fazendo enfeites, arrumando o barracão, levantando a cerca, comprando as bebidas, enfim botando para ardê.
Ritinha nessa época não largava de Frederico para nada, para lá e para cá, ia e vinha grudado feito chiclete, e por vez e outra o casal tinha que passar pela propriedade de seu Firmino para chegarem à casa da madrinha do moço. Nessas idas e vindas pelo pasto, Ritinha começa a notar que toda vez que o casal passa pela propriedade lá tava a mardita da égua atrás dos dois. E se passaram uma, duas, três e quatro e sempre a mesma história, a égua atrás do casal. Para encurtar a história, num dia bonito de sol lá estava Ritinha esperando o noivo e futuro esposo em casa, mais nesse dia nada de Frederico aparecer, já irritada ritinha decide ir atrás de Frederico, já que os dois iam mesmo à casa da madrinha do moço preparar alguns aperitivos – pois faltavam apenas alguns dias para o casório – chegando à fazenda a moça procura Frederico aqui-e-acolá e nada, até que fatidicamente pergunta para Teodoro – um peão novo da fazenda que diz – Frederico ta no curral tratando da lusitana de seu Firmino, e lá vai Ritinha ao encontro do amado, me ocorre nessas alturas que não preciso me estender muito além disso, Ritinha pega no flagrante os dois, Frederico e a sua amante no maior amasso – não bem um amasso mais no a o ato efetivamente, Ritinha alterada termina tudo ali mesmo, na frete os dois, o moço perplexo se desculpa, dizendo ter sido um fraco ,estando muito arrependido – papo de homem – mais o fato é que Ritinha e Frederico não casaram, Frederico foi embora para Belo Horizonte ganhar a vida na cidade grande, Ritinha tornara-se professora da vila (ficando solteirona mesmo por longos anos) e a amante? Essa foi embora para Lisboa dar continuidade na linhagem, égua de raça é assim deve-se aproveitar enquanto ainda esta reproduzindo. Eita égua descarada.
E num é que eu acabei de contar um causo.
1 comment:
...
uma trama en cena a vida,
causo en sina
...
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