Thursday, May 01, 2008

Imagina


Sabe, tenho andado muito saudosista nos meus textos, toda vez que me pego pensando em escrever, requisito a memória para tal, e lá vem a infância, a adolescência, fatos casuais e às vezes nem tão casuais assim.
Mas no fim, do que é feito as palavras se não da própria memória, essa memória tola que insiste em nos acompanhar; muito embora se pudesse levar alguma coisa desta terra para algum lugar após a morte seria minha memória –eu e mais 6 bilhões de habitantes né.
De fato não sei bem onde quero chegar com toda essa ladainha, o assunto é outro, que se não tem muito a ver com o contexto, talvez não tenha realmente é nada, na verdade tudo isso acima foi apenas um pretexto para eu voltar um pouquinho no passado, é lá vamos nós de novo – ou melhor, lá vou eu.

Alguém aqui já viu a Lua Cris?  (Risos por aqui, eu falo como se estivesse escrevendo para A Folha de SP e milhões de pessoas me lessem)
Eu não Vi exatamente a Lua Cris, digamos que o primo mais velho dela.
Sarcasmo a parte não me recordava muito exatamente a data mais como um curioso nato fui procurá-la, e sabia eu apenas que fora nos anos entre, 1990 e 1993, e Tcharamm!!!! Achei.

Foi em 11 de julho de 1991; Em uma dessas manhã frias de julho – essas que não fazem mais – fomos para o pátio entender definitivamente por que cargas d’agua a professora mandara no dia anterior pedir às nossas respectivas mães uma radiografia – ou um pedaço do que seria uma, e bem acho meio improvável uma mãe cortar um pedaço de uma radiografia para levar à escola mas tem louco para tudo, e fiquei mais tarde sabendo seu verdadeiro nome “filme radiográfico”, mais continuemos.

E estávamos lá, lindos e belos no pátio do colégio, tá nem tão lindos e belos assim, mais o que não tínhamos de beleza tínhamos de curiosidade. Fazia um frio cortante, tínhamos árvores a nossa volta que soltavam uma espécie de algodão no ar, sabe aquelas árvores que soltam aquelas coisinhas que o pessoal da sétima arte adora colocar em filmes românticos, essa mesmo, e que me enganaram certinho por longos 10 ou 12 anos pensando que era a “Arvore do algodão” doce ilusão, maldito Professor de biologia.

Colocamo-nos em posição de ataque, segundo prescrições da Professora (Fernanda) levantamos as radiografias em direção do sol e ficamos uns cinco minutos como idiotas ali, confesso que já tinha desistido, mais eis que surge na minha frente um Eclipse Solar, fiquei abestalhado com aquilo, não sabia se o mundo estava para acabar e a radiografia viera para nos proteger, não sabia se eu corria para a sala, se gritava, só sei que fiquei ali paralisado por volta de uns 7 minutos com aquela imagem sem igual na frente dos olhos, que fazia um arco tão lindo no começo e depois virava um olho imenso no céu, e depois outro arco de fogo – algumas Professoras chegavam a dizer que era o olho de Deus, criança acredita em tudo mesmo. Depois disso voltamos à sala para a aula de Ciências da 3° série A entender o que era um Eclipse Solar.





E a Lua Cris ou Eclipse Lunar?
Que é, por sua vez, alteração de eclipse, ecris, lua cris. A Lua Cris só faz originar sofrimentos, infortúnios, desgraças, doença. Ao lado do conhecimento científico do assunto, quanto ao influir cósmico, astronômico, sobre o organismo animal, perdura a superstição importada de além-mar, em era remotas. "O eclipse (ecris, lua cris) da lua é considerado como uma doença dela. A lua aparece amarela, porque está doente de icterícia, e a pessoa que então olhar para ela arrisca-se a pegar a doença" (Vila Cova, de Carros).

Na província brasileira do Maranhão há um grande terror, quando a "lua vai fazer cris", e todos se acautelam. As prevenções são estas: logo que principia o eclipse, acordam as pessoas que estão dormindo, porque, se não as acordarem, ficam sujeitas a dormir eternamente, ou a passar por outro qualquer infortúnio. Todas as pessoas da casa saem para fora, ou para o quintal, gritando às árvores frutíferas: "acorda, acorda, laranjeira, olha a lua cris; acorda, mangueira, segura os frutos e as folhas, olha a lua cris, alguns até dizem que para espantar a lua cris é preciso fazer um bocado de barulho batendo panelas e gritando para desfazer o feitiço.

(J. Leite de Vasconcelos. As tradições populares de Portugal. 23, Porto, 1882; Fernando São Paulo. Linguagem médica popular no Brasil. II, 44-45, Rio de Janeiro, 1936)



E fiquem espertos, o eclipse solar com o maior tempo de duração na fase de total de escuridão em um eclipse acontecerá em 22 de julho de 2009, com 6m39s.

Preparem suas panelas.

3 comments:

Anonymous said...
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Ju Marques said...
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Ju Marques said...

... da música do Chico. sei sei.
Vc me disse.

E de nostalgia em nostalgia, haverá um tempo em q a maior parte das nossas lembranças serão compartilhadas.

E em 2009, tomara, de panelas nas mãos, juntos, olhando da janela na nossa casa...
e que delícia será.

Te amo. óbvio.