Essa carta foi encontrada casualmente em um banco de ônibus na cidade de São Paulo no ano de 1998 e está sendo publicada só agora, passados dez anos.
E por que publicar uma carta achada no ônibus? Simplesmente pelo seu conteúdo desesperador, lúdico e poético, ninguém em suas piores faculdades mentais escreveria tal carta, ou melhor, escreveria com tanta maestria e não a entregaria.
Um homem e um dilema, um amor que transgride a pele entra nos olhos ficando ali guardado, com o peito marcado a ferro.
01 de Dezembro de 1998, Terça Feira
Deite-me ontem às 21:00, novamente com o nó na garganta usual que me dá quando me vem o choro, tive que recorrer ao papel e a caneta, no entanto não escrevo com a finalidade de espantar os demônios que me afligem constantemente, vim escrever a ti.
Sinto-me cansado desta vida Senhorita, cansado de tudo que não acontece, que só permanece em si um púlpito estático.
São dias tão longos que passo sem conhecer- te, sem saber o tom doce da tua voz, a maciez de tua pele ou mesmo dos passos que tão lindamente dá.
Tamanha é a carga que carrego que deixaste de ser amor ou paixão que sinto por ti, hoje está transformado em loucura, há muito tenho tocado a loucura, e percebo que já não existe mais volta pelo caminho que tenho andado, não culpo-a, culpo as circunstâncias, o tempo e o malogro que me persegue.
E eu pensei que poderia livrar-me da solidão natural da velhice que persegue os boêmios, ledo engano, de tantas mulheres que se deitaram em minha cama, nenhuma se quer trouxe tanto enervamento e fervilhar da face como tu.
E hoje quando sentas ao me lado no coletivo calo-me, sufoco-me e tento não ver a aliança que por muito tempo quis não acreditar anunciar um outro homem em tua vida, e que de fato passados esses 7 anos de nossa muda rotina talvez ele te faz feliz a sua maneira.
Ocorre-me então que não há fuga que me cure, tão pouco suicídio que me mate de verdade para esquecer este amor tão sagaz.
Findo-me aqui com uma angustia eterna de uma decisão que só saberás quando não me ver mais, mesmo sabendo que isso é indiferente para ti e não a mim.
Decidi, vou trocar meu itinerário...
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2 comments:
Quero ir embora!!!
Amar sendo correspondido, tendo planos em comum, compartilhando brilho nos olhos, beijos e longas conversas sobre a vida já não é tarefa fácil...
E amar assim, sem medida, sem o toque, sem o "esperar", só dor. Não sei se sobreviveria...
Essas dores de amor inventado são assustadoras.
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