Sunday, August 31, 2008

Por essa luz que me alumia, eu confesso que resisti até o ultimo momento a não escrever essa ultima postagem, no entanto os despautérios que venho enfrentando de duas pessoas- que eu juro não falar nome aqui (Juliana e a Vivi ops escapou) onde as mesmas vem me chamando de “Esquerda” que por si só é uma falácia, então utilizo uma ferramenta covarde, então lá vai.



Abril, 12 de 1945 – Meditação entre quatro paredes: Sou um animal político ou apenas gostaria de ser? Esses anos todos alimentando o que julgava idéias políticas socialistas e eis que se abre o ensejo para defendê-las. Estou preparado? Posso entrar na militância sem me engajar num partido? Minha suspeita é o partido, como forma obrigatória de engajamento, anula a liberdade de movimentos, a faculdade que tem o espírito de guiar-se por si mesmo e estabelecer ressalvas à orientação partidária. Nunca pertencerei a um partido, isto eu já decidi. Resta o problema as ação política em bases individualistas, como pretende a minha natureza. Há uma contradição insolúvel entre minhas idéias ou o que suponho minhas idéias, e talvez sejam apenas utopias consoladoras, e minha inaptidão para o sacrifício do ser particular, crítico e sensível, em proveito de uma verdade geral, impessoal, às vezes dura, senão impiedosa. Não quero ser um energúmeno, um sectário, um passional ou um frio domesticado, conduzido por palavras de ordem. Como posso convencer a outros, se não me convenço a mim mesmo? Se a inexorabilidade, a malicia, a crueza, o oportunismo da ação política me desagradam, e eu, no fundo, quero ser um intelectual político sem experimentar as impurezas da ação política? Chega, vou dormir.

Trecho extraído do livro “O observador do escritório” do escritor Carlos Drummond de Andrade.

1 comment:

Ju Marques said...

... dizer-te de esquerda como se essa fosse uma verdade absoluta, seria quase como admitir-me sendo tbm ou de direita ou de esquerda. E ainda q vc me convença q não é nem deste partido, nem daquela ideologia, eu ainda te enxergo diferente do que é normal. É nesse sentido que vc é assim chamado.
Mocinho politizado, inteligente, de cabelos enroladinhos, camisetas listradas, frequentador de lugares legais, apreciador de musica boa... Vc é um cara da extrema esquerda do bom gosto. E tenho dito!

Gosto!