Ando tão sem assunto ultimamente que me envergonho de tal situação. Não, mentira não me envergonho coisa nenhuma, mas isto aqui vicia, no entanto não me penitenciarei por criar mais um vico em mim.
Deixo eles se apropiarem das caus justas e injutas da minha vida, e que seja.....
Há muito tempo atrás escrevi no fundo da memória...
Declaro, para os devidos fins, que sinto e não nego o que descrevo abaixo. Num impulso poético dedico minha declaração aos homens e mulheres que consto na minha adega secreta: Hugo Chávez, Chico Buarque, Fidel, Saramago, Kafka, Sartre, Albert Camus, Nietzsche, Machado, Quantana, Leminsk, Darcy ribeiro, Irmãos Villas Boa, Paulo Sérgio Pinheiro, guerrilheiros do Araguaia, mendigos de São Paulo e Rio, causadores dos incêndios do suburbío de Paris, Gandhi, Celso Martinez, militantes do MST, , àqueles que trabalham ano inteiro para construir o Brasil.
Livres, rasgando o céu insolitamente azul-mesmice, as palavras voam como pombos: graciosas, mas transmissoras de doenças. Juntamos umas às outras para criar a parafernália da mentira, do espetáculo. A Arte não pode ser um narcótico. Temos que enfrentar as raízes de tudo. Eis a Arte: "ser humano, demasiadamente humano". Não posso me conformar com a dor. Quero enfrentá-la em arena despida de esterias e gritos. No silêncio de uma noite enluarada; na sensação refrescante de um dia chuvoso regado a vinho. Não quero ousar procurar jogar na lata de lixo o que há de mais nobre na raça humana: ser humano. Ser livre e poder ser poderoso quanto ao destino. Às escolhas a nossa cortante força, potência máxima de desafiar a mentira: escolhemos o que queremos ser. As consequências são apenas atos a mais na incrível peça. Que se dane a morte, quero vida. Por que carrego no meu peito tanta neurose? Por que sou preso a tantos emaranhados inescrupulosos? Somos desgraçados porque queremos. Mesmo que tenhamos que enfrentar nossas criaturas, sim, nossas mais belísticas criações que militam contra a nossa própria felicidade. Lembrando-me do André: que se foda as cercas, os feudos, as muralhas, os muros! Quero admitir que a vida deve ser a seiva que corre nas minhas veias. E veias abertas ao sangue de toda a humanidade.
Quero beijar a vida. Com meu idioma, minha língua cheia de tesão lambê-la todinha. Sugar dela todo o gosto, todo o sabor. Não fomos feitos sob a tutela da moldura da dor. Somos felizes porque somos considerados imorais, amorais. Não concordamos com tudo porque reconhecemos que nada está pronto. Tudo deverá ser construído a quantas mãos estiverem juntas no processo. Não somos subversivos. São subversivos aqueles que militam contra a liberdade.
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1 comment:
É belo quando vc escreve com tanta alma e coração... Não é só poesia por poesia, é sentimento e intensidade. Gosto disso!
Embora a vida seja isenta de razões, vale a pena pela liberdade que cultivamos, e pelas pessoas que passam por nós e acabam por deixar pedacinhos do que pensam e do que são (ainda q essas pessoas sejam anônimas como os incendiários do subúrbio de Paris...).
E querer e "brigar" em prol do que acreditamos, e ser apenas o que somos é tudo. É dígno. É necessário.
Que nunca lhe faltem "desejos, tesão e sonhos", que vc seja simplesmente [b]Tudo [/b]isso!
Que vc continue a inspirar-se assim... pois é belo quando o "silêncio" cessa.
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